Intel reduz previsão de receitas com chips, e ações despencam 20%
Fabricante prevê receita de até US$ 16 bi no trimestre, abaixo dos US$ 17 bi esperados por analistas
San Francisco (EUA) |Financial Times A Intel apresentou nesta quinta-feira (29) projeções de receita e margens de lucro abaixo do esperado, interrompendo uma sequência de resultados fortes neste ano que havia reforçado a confiança na recuperação da fabricante americana de semicondutores.
A empresa registrou receita de US$ 16,5 bilhões (R$ 88,6 bilhões) nos três meses encerrados em setembro, em linha com as expectativas. Para o trimestre atual, porém, prevê receita entre US$ 15 bilhões (R$ 80,6 bilhões) e US$ 16 bilhões (R$ 86 bilhões), abaixo dos US$ 17 bilhões (R$ 91,4 bilhões) esperados por analistas de Wall Street.
A Intel alertou os investidores que sua margem bruta deve cair para 37% no trimestre atual, diante do aumento dos custos provocado pela escassez de chips de memória em todo o setor. As ações da empresa caíram cerca de 21% nas negociações após o fechamento do mercado.
O presidente-executivo da Intel, Lip-Bu Tan, afirmou que a companhia está "agindo com urgência" para liberar o fornecimento de componentes e impulsionar as vendas de seus chips.
A divisão de produtos da Intel, responsável pela venda dos chips para servidores e computadores pessoais (PCs) que a empresa projeta, registrou receita de US$ 15,4 bilhões (R$ 82,8 bilhões), em linha com as expectativas. Já a operação de fabricação de semicondutores, conhecida como foundry, teve receita de US$ 6,7 bilhões (R$ 36 bilhões).
O diretor financeiro da empresa, David Zinsner, afirmou que a desaceleração do mercado de PCs deve continuar pelo menos até o primeiro semestre do próximo ano.
Os resultados desta quinta-feira (29) foram os primeiros divulgados pela Intel desde que a empresa emitiu US$ 20 bilhões (R$ 107,5 bilhões) em novas ações, em agosto. A operação buscou aproveitar a forte valorização dos papéis após a companhia registrar, em julho, seu maior crescimento em 15 anos.
Tan tem buscado fortalecer o balanço financeiro da Intel após anos de declínio sob seu antecessor, Pat Gelsinger. A deterioração foi impulsionada por gastos elevados e sem controle com fábricas que ainda não atraíram grandes clientes externos nem conseguiram competir com a taiwanesa TSMC.
As ações da Intel acumulam alta superior a 140% desde o início do ano. No entanto, caíram mais de 20% no último mês, pressionadas por preocupações mais amplas dos investidores com o aumento da inflação, a sustentabilidade do crescimento dos data centers e a onda de empréstimos para financiar investimentos em inteligência artificial.
A melhora no desempenho da companhia ocorreu depois que o governo Donald Trump manifestou, no ano passado, apoio aos esforços da Intel para se tornar a única empresa americana capaz de fabricar chips avançados para inteligência artificial.
O governo converteu bilhões de dólares em subsídios federais à fabricação em uma participação de 10% na empresa. Na sequência, Nvidia e SoftBank anunciaram investimentos de bilhões de dólares na fabricante.
Elon Musk afirmou que a SpaceX e a Tesla vão colaborar com a Intel no ambicioso projeto Terafab, uma instalação de fabricação de chips no Texas. Embora existam poucos detalhes sobre o plano, o anúncio também ajudou a mudar a percepção de declínio da empresa.
A Intel também tem se beneficiado da forte demanda por unidades centrais de processamento, conhecidas como CPUs, usadas na infraestrutura de data centers voltados à inteligência artificial.
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A fabricante informou nesta quinta-feira (29) que investiu US$ 4 bilhões (R$ 21,5 bilhões) em despesas de capital no trimestre. A empresa se comprometeu a gastar US$ 20 bilhões (R$ 107,5 bilhões) em 2026.
O lucro líquido foi de US$ 3,3 bilhões (R$ 17,7 bilhões), embora o resultado reflita oscilações no valor das ações da Intel mantidas em custódia como parte do acordo de investimento com o governo americano. Desconsiderados esses efeitos, o lucro líquido ajustado foi de US$ 2,8 bilhões (R$ 15 bilhões).
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