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IA provoca enxurrada de falhas de segurança no Vale do Silício

OpenAI identificou mais de 1.300 falhas, enquanto Google e Microsoft ampliam correções

IA provoca enxurrada de falhas de segurança no Vale do Silício

The New York Times Em 21 de outubro, Fouad Matin, responsável pelos esforços de preparação e segurança cibernética da OpenAI, planejava passar a noite com amigos para comemorar seu aniversário.

Em vez disso, ele estava funcionando com cerca de duas horas de sono enquanto coordenava os esforços para corrigir duas vulnerabilidades críticas de segurança descobertas por inteligência artificial, que ameaçavam comprometer boa parte da internet. O trabalho mobilizou pesquisadores de segurança de startups e gigantes da tecnologia, além de autoridades governamentais dos Estados Unidos e de outros países.

Outras falhas identificadas por IA também estavam na fila de Matin e precisavam ser corrigidas. A OpenAI tem várias equipes dedicadas à segurança cibernética e está destinando uma quantidade significativa de poder computacional à identificação e à correção de problemas, disse ele.

A inteligência artificial "realmente abre essa caixa de Pandora de vulnerabilidades", afirmou Matin. Segundo ele, as empresas de IA têm a responsabilidade de localizar e corrigir os problemas, pois "o verdadeiro objetivo é examinar e corrigir o máximo possível dos programas de computador do mundo".

Em todo o Vale do Silício, profissionais de tecnologia como Matin enfrentam uma grande mudança na segurança cibernética. A IA demonstrou tanta capacidade de identificar falhas em softwares que engenheiros estão lidando com uma enxurrada repentina de problemas e têm dificuldade para corrigi-los antes que sejam explorados por hackers. As empresas estão dedicando mais tempo e recursos ao tratamento das vulnerabilidades, e alguns profissionais do setor estão entrando em pânico.

O volume de falhas tem sido avassalador. Em maio, a OpenAI começou a usar sua tecnologia para examinar programas de código aberto, amplamente utilizados por serem gratuitos e sustentarem boa parte da internet. Até agora, segundo a empresa, seus modelos foram usados por pesquisadores internos e externos para encontrar mais de 1.300 falhas.

Em junho, o Google também usou inteligência artificial para identificar e corrigir 1.072 falhas em seu navegador, o Chrome, número superior ao total de problemas corrigidos nos dois anos anteriores. Neste ano, a empresa já corrigiu mais falhas graves do que nos oito anos anteriores somados. Somente neste mês, a Microsoft publicou 1.461 correções, mais do que as 1.247 lançadas ao longo de todo o ano de 2025.

É provável que isso seja apenas o começo.

"Este é o primeiro gotejamento, e a situação vai ficar dez vezes pior", disse Matteo Collina, diretor de tecnologia da startup Platformatic, que também ajuda a manter o Node.js, uma ferramenta gratuita para desenvolvedores usada por empresas de tecnologia como Uber e Netflix.

O Node.js tem sido inundado por notificações de falhas e confirmou e corrigiu 50 vulnerabilidades neste ano, mais do que em qualquer outro período de sua história, segundo a OpenJS Foundation, organização sem fins lucrativos responsável pelo projeto. Neste mês, a OpenAI entrou em contato com Collina para alertá-lo sobre uma falha que poderia permitir que invasores acessassem sistemas em toda a internet e roubassem dados.

A busca por falhas costumava ser uma atividade essencialmente humana. Gigantes da tecnologia contratavam pesquisadores de segurança para examinar seus códigos e criaram programas conhecidos como bug bounties, que pagavam hackers éticos para revelar vulnerabilidades.

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"Dois anos atrás, encontrar uma vulnerabilidade de segurança era algo realmente legal", disse Volker Dusch, engenheiro de segurança que trabalha com a PHP Foundation, grupo que mantém a linguagem de programação PHP. Na semana passada, a organização divulgou que a inteligência artificial havia descoberto uma vulnerabilidade crítica em seu código. "Esse prestígio social meio que desapareceu. A maneira como isso é valorizado está mudando."

A inteligência artificial superou rapidamente os hackers humanos. A tecnologia consegue procurar falhas sem parar, continuando o trabalho mesmo quando uma pessoa provavelmente desistiria. Também pode buscar vulnerabilidades em uma escala ampla, combinando várias pequenas falhas espalhadas por diferentes trechos de código para construir um ataque perigoso.

Os efeitos da tecnologia sobre a segurança ficaram evidentes no fim do ano passado. Desenvolvedores de programas de código aberto perceberam um forte aumento nas notificações de falhas. Algumas eram slop —relatos confusos, sem testes, de supostas vulnerabilidades geradas por IA—, mas outras descreviam ameaças significativas.

No fim de janeiro, um pequeno projeto de código aberto conhecido como Curl anunciou que deixaria de pagar recompensas por falhas, citando o excesso de notificações. Em fevereiro, o Node.js recebeu 4,6 vezes mais relatos do que o habitual.

Em abril, aumentaram os temores de que a inteligência artificial provocasse um colapso na internet. A Anthropic afirmou ter criado um modelo de IA chamado Mythos tão competente em invadir sistemas que não poderia ser disponibilizado ao público com segurança. Em vez disso, a empresa concedeu acesso a um grupo de empresas e governos de confiança, chamado Project Glasswing, para que começassem a examinar seus sistemas em busca de brechas e corrigissem os problemas. A OpenAI e o Google também desenvolveram modelos de IA voltados à segurança cibernética e os compartilharam com equipes de defesa.

Mas modelos de inteligência artificial capazes de encontrar e explorar vulnerabilidades se tornaram amplamente acessíveis. A Vals AI, empresa que avalia o desempenho de tecnologias de IA, apresentou recentemente a diferentes modelos um desafio de segurança cibernética que consistia em invadir uma empresa fictícia. Um dos modelos mais avançados da OpenAI, disponível apenas para equipes de defesa autorizadas, cumpriu 81% dos objetivos do teste, segundo a Vals AI. Em seguida veio um modelo gratuito da DeepSeek, startup chinesa, que concluiu 73% das tarefas propostas.

A disponibilidade de ferramentas poderosas de IA alimentou uma corrida no Vale do Silício para encontrar e corrigir vulnerabilidades antes que invasores as descubram. Isso fez com que muitas funções no setor de tecnologia deixassem de se concentrar no desenvolvimento de novas ferramentas e passassem a priorizar a defesa de sistemas existentes contra possíveis falhas generalizadas.

Em julho, pesquisadores da empresa de segurança cibernética Calif direcionaram sua atenção —e seus agentes de inteligência artificial— ao PHP, usado na construção de cerca de 70% dos sites. Eles descobriram uma falha escondida no código havia mais de uma década, que poderia permitir a execução de código malicioso em qualquer um desses sites.

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"Nos últimos dois meses, tenho vivido em um estado de terror absoluto, com medo de que outra pessoa encontrasse a falha ou de que as informações vazassem antes que todos tivessem implementado as correções", disse Matthew Prince, presidente-executivo da Cloudflare. "Nos próximos dois anos, viveremos em um cenário em que, em média, haverá toda semana uma vulnerabilidade crítica que afetará a internet inteira."

Para alguns especialistas em segurança, a recente onda de falhas é um sinal de uma catástrofe iminente.

"Por pior que a situação tenha ficado nos últimos quatro dias, ela vai piorar muito antes de melhorar", escreveu Jason Clinton, vice-diretor de segurança da informação da Anthropic, em uma publicação nas redes sociais em 22 de outubro.

Outros veem uma luz no fim do túnel.

"Na verdade, você está mais seguro em um mundo no qual conseguimos encontrar esses problemas", disse Prince. "Nos próximos dois anos, vai parecer que o céu está desabando, mas acredito que sairemos do outro lado com uma internet muito mais segura."

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
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