Houthis bombardeiam palácio de governo do Iêmen; premiê não se feriu
Grupo rebelde apoiado pelo Irã atinge com mísseis local em Áden; duas pessoas morreram, segundo governo
Os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, lançaram mísseis contra a sede do governo iemenita nesta quinta-feira (15), segundo autoridades, enquanto a Arábia Saudita acusava Teerã de alimentar a escalada da guerra no país.
O primeiro-ministro, Shayea al-Zandani, afirmou em comunicado que os houthis haviam atacado o palácio de Maashiq, em Áden, embora não esteja claro se ele se encontrava no local naquele momento. Al-Zandani não ficou ferido, mas dois integrantes de sua equipe de segurança morreram, de acordo com uma publicação nas redes sociais do ministro da Informação do Iêmen, Moammar al-Eryani.
Vídeos compartilhados nas redes sociais na quinta-feira mostram fumaça subindo das proximidades do palácio presidencial em Áden. Não é possível determinar pelas imagens a extensão dos danos às estruturas do complexo, mas a fumaça pode ser vista a mais de 1,6 km de distância.
Áden funciona como sede do governo do Iêmen reconhecido internacionalmente desde 2015, quando os houthis tomaram a capital do país, Sanaa. O governo iemenita, controlado por um Conselho de Liderança Presidencial, composto por oito membros, opera há anos a partir da capital saudita, Riad.
Nas últimas semanas, aviões de guerra sauditas vêm fornecendo apoio aéreo às forças governamentais em seus combates contra os houthis, numa tentativa de retomar territórios estratégicos no mar Vermelho.
Yahya Saree, porta-voz militar da milícia houthi, afirmou em comunicado nas redes sociais que o grupo teve como alvo o "quartel-general de operações militares do inimigo saudita em Áden".
Os combates no Iêmen têm avançado cada vez mais sobre o território saudita, com ataques a aeroportos, infraestrutura e instalações petrolíferas do país, ampliando assim as repercussões regionais da guerra dos EUA contra o Irã, principal apoiador dos houthis.
Rayed Krimly, vice-ministro da diplomacia pública do Ministério das Relações Exteriores saudita, disse a jornalistas na quinta-feira que o Irã havia incentivado a mais recente escalada no Iêmen e continuava a "armar, treinar e apoiar os houthis", segundo comunicado divulgado pelo ministério.
Krimly afirmou que a Arábia Saudita havia pedido recentemente aos houthis que participassem de negociações no Omã, mas que o grupo se recusara. Dhaifullah al-Shami, uma figura política houthi, negou. "Se a Arábia Saudita quiser sair da situação difícil em que se encontra, deve pôr fim ao bloqueio e à agressão contra o povo iemenita", declarou em comunicado.
No sábado, os houthis realizaram até agora seu ataque mais letal contra o reino, atingindo o principal aeroporto de Riad com um míssil de cruzeiro e matando pelo menos 13 pessoas.
O major-general Turki al-Maliki, porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, afirmou em entrevista coletiva na quinta-feira que os houthis haviam se tornado a primeira milícia desse tipo a obter mísseis balísticos, drones explosivos e embarcações carregadas de bombas —armas que, segundo ele, o grupo adquiriu "com a ajuda de atores regionais". Autoridades sauditas usam rotineiramente essa expressão como referência velada ao Irã.
Ele afirmou que os houthis haviam disparado mais de mil mísseis balísticos e mais de 1.100 drones contra a Arábia Saudita desde julho, atingindo aeroportos em Riad e em outras cidades do sul e do leste do reino. Os ataques mataram 19 pessoas e feriram quase 400, disse ele.
Os houthis têm acusado com frequência a Arábia Saudita de atacar a infraestrutura do Iêmen. Na semana passada, veículos de comunicação ligados ao grupo acusaram a Arábia Saudita de bombardear um aeroporto em Sanaa. Na terça-feira, ataques sauditas contra uma instalação petrolífera em Hodeida, porto controlado pela milícia, mataram pelo menos duas pessoas, segundo um porta-voz do Ministério da Saúde administrado pelos houthis.
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