Hollywood vira aliada para engajar americanos no exterior antes das eleições
Astros de
Na ficção, Julia Louis-Dreyfus já foi a frustrada vice-presidente dos Estados Unidos em "Veep", Kerry Washington navegou pelas crises que ameaçam a Casa Branca em "Scandal", e Bradley Whitford transitou pelos bastidores do poder em "The West Wing".
Na vida real, os três atores voltaram a falar de política, mas agora estrelando campanhas para incentivar eleitores americanos que vivem no exterior a votar em 3 de novembro.
As iniciativas partem de organizações independentes —como a Vote From Abroad e a Centers for U.S. Voters Abroad— e de entidades ligadas aos principais partidos do país: a Democrats Abroad e a Republicans Overseas.
A duas semanas da disputa legislativa, que pode redefinir o poder de fogo de Donald Trump na segunda metade de seu mandato, as campanhas pelo voto no exterior se tornam mais intensas. Estão em jogo as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes dos EUA e 35 das 100 cadeiras do Senado.
O FVAP (Programa Federal de Assistência ao Voto, na sigla em inglês) compila dados estrangeiros e domésticos para estimar o número de cidadãos aptos a votar vivendo em quase 200 países. São cerca de 2,9 milhões os que têm direito a votar em 2026 por correspondência —em muitos casos, mesmo que nunca tenham vivido em território americano.
A comunidade de expatriados cresceu 42% desde 2010, tendo como principal destino o Canadá, com cerca de 606 mil cidadãos adultos, seguido pelo Reino Unido, com pouco menos de 300 mil, segundo o Relatório do FVAP de 2022 ao Congresso.
O Brasil abriga atualmente cerca de 31 mil cidadãos dos EUA; desse total, cerca de 17 mil estão aptos a votar. O gerente de projetos de educação bilíngue Emilio Abularach, 36, é um deles. Natural de Miami (Flórida), ele vive no Brasil há dez anos. Apesar de o voto não ser obrigatório em seu país, Abularach sempre votou, mesmo depois de se mudar.
"Eu era advogado na Flórida, mas não gostava da minha profissão, estava me deixando doente, então resolvi mudar de carreira, de cidade, de país. Sempre tive curiosidade de aprender uma língua por imersão; desde criança meus pais incentivaram que meu irmão e eu aprendêssemos mais idiomas, e queria morar numa cidade maior, como São Paulo", conta.
Filiado ao Partido Democrata e eleitor desde os 19 anos, Abularach considera ser importante votar, sobretudo quando se é de um estado-pêndulo, que pode ficar tanto com os Democratas quanto com os Republicanos, como é o caso da Flórida.
"Sempre participei de forma ativa das eleições, colaborando nas campanhas do meu estado. A primeira campanha onde fui voluntário foi a da primeira eleição de Barack Obama, em 2008", conta. "Se eu fosse de um estado mais conservador, muito provavelmente não votaria com tanta frequência."
DUPLO DESAFIO
Votar é mais complicado para cidadãos que vivem no exterior do que para eleitores em solo americano. Eles precisam atualizar seu registro e solicitar explicitamente uma cédula de voto por correspondência. Diferentemente do que ocorre para os brasileiros no exterior, americanos fora dos EUA podem votar para o Legislativo.
As representações dos EUA no Brasil alertam que os prazos para o registro eleitoral variam de acordo com o estado. Em alguns, é necessário estar registrado até 30 dias antes da eleição, e as informações podem ser consultadas no site do FVAP. A maioria precisa votar bem antes dos eleitores locais para que as cédulas sejam recebidas até os prazos de votação.
Nas eleições de 2024, que culminaram com a vitória de Trump, a taxa de votação nos EUA foi de aproximadamente 76,1% —em comparação com a taxa estimada de 11% para cidadãos no exterior.
A participação de residentes dos EUA no Brasil nas últimas eleições foi de cerca de 1.600 pessoas (pouco mais de 9%). O FVAP chama essa diferença de "lacuna de votação".
Esses eleitores raramente alteram o resultado de uma eleição, mas há uma dimensão do voto no exterior que reflete o valor da participação na democracia, mesmo quando a pessoa está fisicamente distante, avalia Paul Nadeau, professor de ciência política da Universidade Temple em Tóquio.
"Como alguém que ensina política a estudantes de graduação fora dos EUA, incentivo o voto de forma enfática aos meus alunos", diz. Ele afirma que os eleitores no exterior frequentemente tendem a apoiar o Partido Democrata, mas que, por serem um grupo naturalmente heterogêneo e disperso, é mais difícil direcionar ações de campanha, como se faz com os eleitores nos estados americanos.
"Além disso, o processo de votação à distância é mais complexo, o que também dificulta os esforços para aumentar a participação. Como resultado, esses votos podem fazer diferença em disputas apertadas, mas eles raramente são decisivos para a contagem geral", diz.
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