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Economia

Greve de caminhoneiros paralisa produção de muçarela de búfala na Itália

Bloqueios interrompem entregas de leite e afetam fabricantes de massas e produtores de tomate

Greve de caminhoneiros paralisa produção de muçarela de búfala na Itália

Roma |Financial Times A Itália enfrenta uma escassez de muçarela de búfala fresca após quase uma semana de bloqueios em rodovias por caminhoneiros interromper as entregas de leite no sul do país.

O consórcio que representa cem fabricantes da Mozzarella di Bufala Campana afirmou nesta quarta-feira (21) que seus associados foram obrigados a suspender a produção nos últimos três dias devido à falta de leite de búfala. A entidade alertou que a crise está "piorando dia após dia".

Os produtores de muçarela fresca são os mais recentes integrantes do agronegócio afetados pelos bloqueios dos caminhoneiros, que protestam contra os altos preços dos combustíveis. A paralisação começou na sexta-feira (16) e se espalhou pelo sul da Itália, provocando grandes interrupções nas cadeias de abastecimento.

Produtores de tomate e fabricantes de massas também enfrentam dificuldades. Eles alertam que alimentos frescos estão sendo desperdiçados porque as entregas não chegam aos mercados a tempo, enquanto indústrias de processamento de alimentos suspendem as atividades por falta de matérias-primas.

Em condições normais, os fabricantes de muçarela de búfala, concentrados principalmente na zona rural nos arredores de Nápoles, processam cerca de 1 milhão de litros de leite de búfala por dia e produzem 250 mil quilos de queijo fresco. As regras rigorosas do consórcio exigem que o queijo seja produzido em até 60 horas após a coleta do leite.

"Para nós, cada hora conta", disse ao Financial Times Pier Maria Saccani, diretor-geral do Consórcio para a Proteção da Mozzarella di Bufala Campana. "Os laticínios não estão funcionando, e as fazendas não têm onde armazenar o leite."

Saccani estimou que os integrantes do consórcio terão uma perda conjunta de receita de três milhões de euros por dia enquanto a interrupção continuar. O setor já enfrentava dificuldades devido à alta dos custos de produção, incluindo a disparada do preço do leite.

Grandes fabricantes de massas, como a Rummo, foram obrigados a suspender a produção depois de esgotar seus estoques, enquanto o trigo recém-colhido não chega às fábricas.

Um porta-voz da La Molisana, outra grande fabricante, disse ao Financial Times que a empresa enfrenta uma "redução drástica da produção" devido à falta de entregas de trigo.

Na região de Pachino, na Sicília, produtores de tomate haviam alertado no início desta semana que toneladas do fruto deixaram de ser colhidas porque não havia como transportar a produção.

Postos de gasolina em diversas áreas ficaram sem combustível, enquanto alguns aeroportos regionais enfrentaram escassez de querosene de aviação. As prateleiras dos supermercados também começaram a esvaziar, pois os problemas na logística do varejo impediram a reposição dos estoques.

Enquanto isso, prefeitos da região da Campânia alertaram para o agravamento da crise do lixo, já que a coleta de resíduos também foi afetada.

As greves dos caminhoneiros ampliam os problemas da primeira-ministra Giorgia Meloni, cujo governo já enfrenta as consequências de tumultos violentos e saques em Milão e outras cidades do norte do país.

Ministros do governo se reuniram com os caminhoneiros na tentativa de reduzir as tensões e convencê-los a encerrar os protestos. Na quarta-feira (21), porém, as autoridades mudaram de estratégia, pedindo que os manifestantes liberassem as vias e prometendo escoltar os caminhões que não aderiram à greve para atravessar os bloqueios.

Em pronunciamento no Parlamento na manhã de quarta-feira (21), o ministro da Agricultura, Francesco Lollobrigida, classificou a situação como "verdadeiramente injustificável" e criticou os caminhoneiros por "impedir a entrega de produtos frescos".

Em ato em 2019, caminhoneiros diziam o que o governo precisa fazer por eles

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Adolfo Urso, ministro da Indústria, advertiu que "impedir apenas a passagem de caminhões, enquanto os carros podem circular, configura um bloqueio de estrada com consequências criminais, incluindo prisão".

Roma anunciou na terça-feira que havia liberado 480 milhões de euros (R$ 2,71 bilhões) em créditos tributários para a compra de diesel, além de outros 590 milhões de euros (R$ 3,34 bilhões) em incentivos para ajudar os caminhoneiros a adquirir veículos novos e modernizar frotas envelhecidas.

Sob crescente pressão do governo e de poderosos grupos empresariais, caminhoneiros da Sicília decidiram na noite de terça-feira encerrar a greve e retomar os serviços de transporte normalmente. Em outras regiões, porém, inclusive nos arredores de Nápoles, eles insistem que manterão a paralisação.

"Parece um pouco uma guerra entre os pobres", disse Saccani, do consórcio de muçarela de búfala. "O governo deveria encontrar uma maneira de romper esse impasse. Estamos realmente correndo o risco de levar uma economia inteira à paralisia."

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
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