Governo Trump debocha de migrantes em vídeo de Halloween
ICE divulga clipe com
O governo de Donald Trump comemorou o Halloween neste sábado (31) com a divulgação de vídeos agressivos que celebram a detenção de migrantes e a morte de "inimigos" estrangeiros pelas mãos do Exército dos Estados Unidos.
A agência de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE, na sigla em inglês), que tem liderado uma campanha de deportações em massa de migrantes em situação irregular, publicou no X um vídeo de um minuto ao som de "Thriller", sucesso de Michael Jackson.
O vídeo começa com uma sequência de ícones de filmes de terror antes de passar a imagens de prisões e migrantes detidos, com legendas como "este sujeito era procurado por homicídio".
O número de pessoas detidas nos dois primeiros anos do governo republicano é mais do que o dobro das apreendidas nos últimos dois anos da gestão democrata.
"À espreita dos inimigos dos Estados Unidos", anunciou o Departamento de Defesa no X, em outra publicação no Halloween. O órgão divulgou um vídeo em preto e branco que mistura cenas de lançamento de mísseis e tropas em ação com trechos de Trump prometendo matar traficantes de drogas.
A postagem também inclui trechos do secretário de Defesa Pete Hegseth jurando matar qualquer um que mate americanos.
A FBI (Agência Federal de Investigação) publicou um vídeo animado com uma caricatura de seu diretor, Kash Patel, que adapta a letra de "Thriller" para destacar estatísticas sobre o que descreveu como uma queda da criminalidade.
A Casa Branca e o próprio Trump publicam com frequência conteúdo provocador nas redes sociais para inflamar a indignação de seus críticos.
Esse tipo de vídeo, em particular os relacionados ao alvo posto sobre os imigrantes em situação irregular, tem sido amplamente denunciado como degradante e racista.
Uma das publicações já postadas pela conta do presidente diz: "Para onde, homem americano? A América precisa de você: junte-se ao ICE agora", acompanhada de uma imagem do Tio Sam, personificação dos EUA, decidindo que caminho tomar.
A frase é uma referência direta ao livro "Para onde, homem ocidental?" ("which way, western man?", em inglês), do supremacista branco e neonazista americano William Gayley Simpson.
O livro, publicado em 1978, elogia Adolf Hitler e diz que há uma conspiração judaica para destruir o homem branco e o cristianismo —ideia hoje presente na teoria da conspiração da grande substituição, que diz que brancos se tornarão minoria nos EUA e na Europa por meio da imigração. A ideia é repetida por uma série de figuras que orbitam o trumpismo, incluindo o influenciador Charlie Kirk, assassinado em setembro de 2025.
Em fevereiro, Trump publicou nas redes sociais um vídeo racista que retrata Barack Obama e sua mulher, Michelle, como macacos. O conteúdo remete a uma teoria da conspiração relacionada às eleições de 2020 e gerou reação de integrantes do Partido Democrata e até mesmo de republicanos.
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