Gilberto Gil celebra aniversário com lançamento de álbum ao vivo inédito
Primeiro de quatro volumes chega às plataformas no dia 26 de junho, data do aniversário de 84 anos do artista
Há momentos em que uma turnê deixa de ser apenas uma sequência de shows para virar um acontecimento histórico. Foi exatamente esse o rito provocado por "Tempo Rei", a monumental jornada de Gilberto Gil pelos palcos que arrastou multidões de várias gerações por estádios do país. Agora, a catarse coletiva de ver o mestre baiano em cena ganha formato definitivo para a posteridade.
Chega às plataformas na próxima sexta-feira (26) o primeiro de quatro volumes de "Tempo Rei – Ao Vivo". A data escolhida para dar início aos lançamentos não é casual: celebra o 84º aniversário do artista, que faz do próprio tempo a sua matéria-prima mais preciosa.
O projeto, que transforma a experiência dos palcos em legado fonográfico e audiovisual, nasce sob o selo da Gege Produções com distribuição da Altafonte. O plano de lançamentos prevê quatro volumes ao longo de 2026, culminando em novembro com o lançamento de uma caixa comemorativa em vinil pela Três Selos Rocinante. O lançamento oferece a quem esteve presente a chance de reviver a emoção e dar a quem não pôde ir um vislumbre real da grandeza do espetáculo.
Cada canção, instrumento, coro e silêncio da plateia foi meticulosamente capturado. Sob a direção audiovisual de Rafael Dragaud e edição de Joana Swan, as performances ganham as telas com o brilho que marcou os shows em arenas brasileiras.
Como porta de entrada desse universo, a clássica "Palco" foi escolhida como a música de trabalho do primeiro disco. A faixa carrega um simbolismo duplo. Além de abrir as apresentações da turnê, a composição experimentou um forte rejuvenescimento no último ano, quando criadores de conteúdo de plataformas de vídeo curto triplicaram o uso de sua versão original, apresentando Gil a uma nova leva de ouvintes digitais.
"Uma canção que era na verdade para não deixar dúvida a respeito de tudo o que cantar representa para mim, e a respeito da minha relação com a música – simbolizada de forma completa pelo estar no palco", define o próprio Gilberto Gil sobre a centralidade da faixa em sua vida artística.
O repertório do primeiro volume funciona como um recorte panorâmico da genialidade do compositor baiano, costurando apresentações gravadas em diferentes capitais. A abertura com "Palco", em São Paulo, emenda com o balanço de "Um Banda Um", registrada em Fortaleza. O hino metafísico que dá nome ao projeto, "Tempo Rei", surge em emocionante leitura gravada em Belo Horizonte, cidade que também cedeu o registro de "Eu Só Quero Um Xodó", clássico de Dominguinhos (1941-2013) e Anastácia que ganha as plataformas em sintonia direta com o auge dos festejos juninos.
O ecletismo do primeiro disco se completa com as matrizes regionais de "Eu Vim da Bahia", gravada em Belo Horizonte, e "Procissão", registrada no Rio de Janeiro, em parceria com Edy Star (1938-2025). O vanguardismo estético que fundou o movimento tropicalista ressurge imponente em "Domingo no Parque", em versão capturada em Belém, enquanto a densidade política e a resistência histórica ganham voz na icônica "Cálice", parceria com Chico Buarque registrada na capital mineira.
Ao amarrar hinos políticos, celebrações afetivas e o vanguardismo que mudou os rumos da cultura nacional, o volume inicial de "Tempo Rei – Ao Vivo" estabelece o tom de um documento histórico essencial. Mais do que registrar uma grande turnê da música popular brasileira, o projeto fixa a energia de um criador que prova que sua obra permanece em constante estado de mudança, viva e essencial.
O aniversário é de Gil, mas o presente é para você. Aproveite!