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Geração Z desafia governo indiano com 'Movimento das Baratas'

Após serem comparados a baratas, jovens indianos transformaram insulto em movimento de contestação política

Geração Z desafia governo indiano com 'Movimento das Baratas'

Na Índia, as baratas são a principal ameaça ao governo. Não os insetos, mas milhares de jovens que transformaram uma ofensa em símbolo de resistência política. O que começou como uma piada nas redes sociais se tornou um dos maiores movimentos de contestação ao primeiro-ministro Narendra Modi. Com mais de 25 milhões de seguidores no Instagram, o chamado Partido do Povo das Baratas (CJP, na sigla em inglês) tem mobilizado protestos ao redor do país.

Mas por que baratas? Em maio, o presidente da Suprema Corte indiana, Surya Kant, comparou os jovens desempregados que se dedicam ao ativismo com o inseto. A declaração inspirou Abhijeet Dipke, de 31 anos, a publicar uma provocação: "E se todas as baratas se unissem?".

Nascia assim o Cockroach Janta Party (Partido do Povo das Baratas). O inseto, conhecido pela capacidade de sobreviver em condições adversas, virou símbolo de uma geração insatisfeita com a falta de oportunidades.

O país enfrenta dificuldades em absorver os jovens no mercado de trabalho. A Índia tem cerca de 370 milhões de habitantes entre 15 e 29 anos, e em 2025 a taxa de desemprego entre os jovens nas áreas urbanas chegou a quase 14%.

A mobilização ganhou força após denúncias de vazamentos em exames nacionais de admissão ao ensino superior, que afetaram milhões de estudantes. Os protestos culminaram na renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em julho.

A pauta, porém, ultrapassou a educação. Em outubro, o movimento passou a contestar a revisão dos cadastros eleitorais que retirou mais de 130 milhões de nomes das listas de eleitores. A oposição acusa a Comissão Eleitoral de favorecer o partido de Modi, enquanto o órgão nega irregularidades e afirma que eleitores excluídos indevidamente podem se recadastrar.

A escalada dos protestos provocou uma forte reação das autoridades. No último sábado (10), mais de 2.000 pessoas foram detidas em Nova Déli, incluindo o fundador do movimento.

Nesta quarta-feira (14), dois líderes do movimento tiveram prisão preventiva decretada por cinco dias após ultrapassarem barricadas exigindo a renúncia do Comissário-Chefe da Comissão Eleitoral da Índia. Em resposta às prisões, o fundador do movimento convocou outra manifestação para sexta-feira (16).

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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