Fundo de private equity compra subsidiária da Evergrande
Credores já recuperaram US$ 436 milhões dos US$ 46 bilhões reivindicados, sem contar a nova operação
Xangai (China) e Hong Kong (China) |Financial Times Um fundo de private equity com sede em Hong Kong concordou em pagar US$ 513 milhões (R$ 2,76 bilhões) pelo controle de uma subsidiária da China Evergrande, em uma rara vitória para credores que buscam recuperar perdas com a incorporadora imobiliária mais endividada do mundo.
A PAG, liderada pelo financista chinês Weijian Shan, fez uma oferta para adquirir uma participação de 51% na Evergrande Property Services dos liquidantes da empresa controladora, segundo comunicado divulgado na sexta-feira (30) à Bolsa de valores.
A oferta representa um desconto de cerca de 30% em relação ao preço de fechamento das ações em Hong Kong na quarta-feira (28), último dia em que foram negociadas. A PAG também pagará 500 milhões de yuans (R$ 407,4 milhões) para cobrir os custos da operação dos liquidantes.
"Após um processo de venda amplo e competitivo, estamos satisfeitos por ter conseguido concluir este acordo com a PAG", afirmou Eddie Middleton, um dos liquidantes da empresa, que atua na área de reestruturação e é ligada à Alvarez & Marsal.
"Ainda há muito trabalho a ser feito por todas as partes para concluir a operação, e continuaremos trabalhando para levar a transação adiante."
Os liquidantes da Evergrande iniciaram um amplo esforço para recuperar ativos para credores internacionais depois que a unidade da empresa em Hong Kong foi colocada em liquidação judicial em 2024.
A Evergrande era uma das maiores incorporadoras da China quando entrou em colapso, em 2021, com mais de US$ 300 bilhões (R$ 1,63 trilhão) em passivos. Sua falência, após anos de uso acelerado dos pagamentos antecipados por apartamentos para financiar novos projetos, marcou uma reversão do boom imobiliário do país.
Na semana passada, os liquidantes reconheceram que a possibilidade de recuperar ativos de subsidiárias na China continental era "considerada remota". Até então, haviam recuperado apenas US$ 436 milhões (R$ 2,37 bilhões) dos US$ 46 bilhões (R$ 249,9 bilhões) reivindicados pelos credores, sem incluir a venda de ações anunciada agora.
A venda do controle da Evergrande Property Services era vista pelos liquidantes como uma das principais fontes potenciais de recursos, ao lado da recuperação de pagamentos e de ações judiciais.
Os liquidantes processaram as operações da PwC na China continental e em Hong Kong, além da entidade global da empresa de auditoria, e pedem US$ 8,5 bilhões (R$ 46,2 bilhões) por falhas na fiscalização das contas. A Evergrande foi considerada culpada de inflar fraudulentamente sua receita nos anos que antecederam o colapso.
Entenda o caso da chinesa Evergrande
Carregando...Eles também aguardam o resultado de uma revisão judicial que pode anular um acordo de 1 bilhão de dólares de Hong Kong (R$ 690 milhões) entre a PwC Hong Kong e o órgão regulador do mercado de valores mobiliários da cidade.
Os liquidantes argumentam que o acordo, destinado a indenizar acionistas minoritários independentes da Evergrande, ignorou a prioridade dos credores no recebimento dos recursos.
Mesmo antes da liquidação judicial, a Evergrande tentou vender a participação para a incorporadora chinesa Hopson por 20 bilhões de dólares de Hong Kong (R$ 13,58 bilhões), mas o negócio fracassou em 2021.
As ações da Evergrande Property Services caíram 17,7% na sexta-feira (30), levando o valor de mercado da empresa a 10,5 bilhões de dólares de Hong Kong (R$ 7,06 bilhões).
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