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França e Índia disputam investimentos em IA

O presidente da França e o primeiro-ministro da Índia intensificaram, este ano, o contato direto com líderes das maiores empresas de IA

04/07/2026 02:55 Rodrigo Mozelli Olhar Digital 0 visualizações há 8 dias
França e Índia disputam investimentos em IA

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, intensificaram, este ano, o contato direto com líderes das maiores empresas de tecnologia do mundo. O objetivo é atrair investimentos em infraestrutura de inteligência artificial (IA) — data centers, computação em nuvem e chips — para seus países, em um cenário em que Estados Unidos e China seguem na frente e outras nações buscam não ficar para trás.

Os dois líderes se destacam pelo uso de relações pessoais nessa disputa. Macron convenceu o presidente da SoftBank, Masayoshi Son, a investir dezenas de bilhões de dólares em data centers de IA na França.

Modi recebeu o CEO da Amazon, Andy Jassy, na semana passada, e celebrou o que chamou de investimento recorde de US$ 48 bilhões (R$ 248,1 bilhões) da empresa no país, dos quais US$ 21 bilhões (R$ 108,6 bilhões) serão destinados a infraestrutura de IA e nuvem.

Em junho, durante o G7 sediado pela França, Macron articulou a participação de líderes de tecnologia em um almoço de trabalho com chefes de Estado, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Participaram do encontro Sam Altman, da OpenAI; Dario Amodei, da Anthropic; e Demis Hassabis, do Google DeepMind. Também estiveram presentes Arthur Mensch, da Mistral; Aidan Gomez, da Cohere; Uljan Sharka, da italiana Domyn; Victor Riparbelli, da britânica Synthesia; e Robin Rombach, da alemã Black Forest Labs.

Em fevereiro, Modi sediou o AI Impact Summit em Nova Délhi (Índia), reunindo líderes de tecnologia dos EUA. O evento resultou em compromissos de centenas de bilhões de dólares em iniciativas de IA no país.

Em seu discurso de abertura, o primeiro-ministro afirmou: “A Índia não vê medo na IA. A Índia vê fortuna na IA. A Índia vê o futuro na IA”, e convocou líderes globais a “projetar e desenvolver na Índia” para entregar ao mundo.

Atrair investimentos e parcerias em IA é prioridade declarada de Modi. A Índia ainda não produz chips de ponta domesticamente e não possui um modelo de fundação em escala comparável aos líderes dos EUA ou da China — o que a coloca em posição de atraso no setor.

Para compensar, o governo tem oferecido isenções fiscais de longo prazo a empresas de grande porte que construam data centers de IA no país e incentivado empresas locais a desenvolver semicondutores.

Antes do summit, a Microsoft anunciou seu maior investimento na Ásia voltado à construção de capacidades soberanas para o futuro de IA da Índia.

O Google, por sua vez, anunciou um investimento de US$ 15 bilhões (R$ 77,5 bilhões) para construir o que descreveu como seu maior hub de IA fora dos EUA. Modi também se reuniu no ano passado com Satya Nadella, da Microsoft, com Sundar Pichai, do Google, e com Lip-Bu Tan, da Intel — todos comprometidos a ajudar a desenvolver o ecossistema de IA indiano.

Durante a visita de Modi à Holanda em maio, a empresa holandesa ASML anunciou que fornecerá ferramentas e soluções avançadas de litografia para a fábrica de semicondutores de 300 mm que está sendo instalada pela indiana Tata Electronics.

Tan, da Intel, que se reuniu com Modi em dezembro do ano passado, também assinou como comprador prospectivo de chips produzidos pela Tata Electronics.

A Índia depende fortemente de modelos de IA estrangeiros e de hardware de computação importado, o que torna suas ambições no setor vulneráveis a diretrizes de controle de exportação de outros países.

A recente valorização global das ações de IA não se refletiu no mercado indiano, em razão da ausência de grandes empresas locais do setor — o que torna ainda mais evidente a urgência de Modi em atrair capital e tecnologia.

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