'Eu Vou te Encontrar' entretém, mas decepciona com fórmulas batidas
Série, a 13ª com base em livro do americano Harlan Coben, desperdiça elenco de peso
Na enorme linha de produção em que se transformou a obra do escritor de suspense Harlan Coben, 'Eu Vou te Encontrar' parece ser o investimento mais alto. O elenco está cheio de nomes estrelados, o lançamento foi feito com muito mais alarde do que o das demais adaptações, e a série chegou rapidamente ao topo da lista das mais vistas na Netflix.
Não é pouca coisa, e não vem sem justificativa. O americano escreveu 35 livros, 13 dos quais foram adaptados para as telas em diferentes países, e anuncia ter vendido mais de 1 milhão de cópias em 46 línguas.
Com tamanha bagagem, o mínimo que se esperava da produção mais nova da Netflix, plataforma com a qual o autor mantém contrato, é inventividade. A série, no entanto, é convencional, formulaica e pouco ambiciosa, ainda que entretenha o suficiente e mantenha a curiosidade do espectador eriçada até o oitavo e último episódio.
Como é praxe com o escritor, o enredo inclui acertos de contas com o passado, bastante sangue, perseguições, segredos mal guardados e esqueletos familiares —figurados e literais.
David Burroughs (o monocórdico Sam Worthington, de "Avatar") cumpre pena há cinco anos pelo assassinato de seu filho. Até o dia em que sua cunhada jornalista, Rachel (Britt Lower, de "Ruptura", extraindo o que dá do papel), o visita para mostrar uma fotografia na qual um garoto ao fundo parece ser o menino morto.
É claro que ele vai fugir para tentar resgatar o filho. Será perseguido por uma dupla de agentes do FBI formada por pai e filha (Logan Browning, de "Cara Gente Branca", e o veterano Chi McBride), recorrerá a uma intrincada rede de parentes, amigos e criminosos para ajudá-lo e achará que todos são suspeitos. Milo Ventimiglia ("This Is Us") e Madeleine Stowe, atriz que fez sucesso nos anos 1990 e depois caiu em semiostracismo, completam o elenco.
Parece bom, mas são truques de roteiro demais para sustentar a trama. As suspeitas passeiam por um a um, sempre de forma rasa, e até os bandidos mais poderosos estão dispostos a compartilhar informações com o herói.
O autor, ao menos, foge do maniqueísmo e evita pintar seus personagens como inteiramente bons ou completamente maus. Contudo, a insistência da produção em rechear os episódios com cenas de ação é tanta que não sobra espaço para desenvolver essas nuances.
O tema central usado por Coben para amarrar a história, paternidade, acaba diluído na pirotecnia. Embora o desfecho possa surpreender, há tantas piruetas para se chegar a ele que, a essa altura, o espectador já aceita qualquer coisa como verossímil.