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Estreito de Hormuz é rota estratégica para petróleo, fertilizantes e plásticos

Canal concentra passagem de um quinto da produção mundial de petróleo

15/06/2026 06:40 Folha Mercado 0 visualizações há 8 horas
Estreito de Hormuz é rota estratégica para petróleo, fertilizantes e plásticos

Canal que separa o Irã da Península Arábica, o estreito de Hormuz é um dos pontos de passagem mais estratégicos do comércio global. Seu bloqueio desde 28 de fevereiro, decretado pelos iranianos após os ataques de Israel e Estados Unidos à região desencadeou uma crise de abastecimento que se espalhou pelos mercados de combustíveis, alimentos, fertilizantes e frete marítimo.

Nesse domingo (14), o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que um acordo de paz foi costurado junto ao Irã para o encerramento dos conflitos no Oriente Médio. Os países devem formalizar um memorando de entendimentos na sexta-feira (19). Embora os detalhes oficiais do documento ainda não tenham sido divulgados, autoridades dos dois países afirmaram que foi alcançada uma estrutura de paz destinada a encerrar o conflito, que inclui reabrir a rota do petróleo.

Entenda a importância do estreito de Hormuz.

Por que o estreito é importante?

Cerca de um quinto de todo o petróleo bruto produzido no mundo passa pelo canal. Países como Irã, Iraque, Kuwait, Qatar e Bahrein, alguns dos maiores produtores de petróleo do mundo, dependem do estreito para exportar sua produção.

Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que também integram o clube de grandes produtores, dispõem de rotas alternativas próprias, porém mais restritas.

Ao longo do período de bloqueio, que já dura quase quatro meses, o preço do petróleo disparou, com os contratos do barril de petróleo Brent saindo de US$ 72,4 para US$ 118,3, já no final de março. Desde então, mesmo com a queda gradual observada nos preços entre maio e o início de junho, a cotação nunca mais chegou ao patamar anterior.

Quais outros produtos passam pelo canal?

Além de servir para transportar petróleo, o estreito é rota essencial para o gás natural liquefeito (GNL) —insumo fundamental para indústrias e termelétricas—, fertilizantes, produtos químicos, plásticos e grãos.

É por lá que trafega mais de 20% das exportações mundiais do GNL, produzido por Qatar e Emirados Árabes Unidos.

No caso dos fertilizantes, mais de um quarto da produção mundial também depende da rota, com destaque para os fertilizantes com enxofre, dos quais 44% da produção global passa pelo estreito.

Há cerca de um mês, a Unops (escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos) disse que o prolongamento do bloqueio do estreito poderia causar uma "grande crise humanitária". A entidade se referia ao represamento de fertilizantes, que ajudam na produção de alimentos.

O agronegócio brasileiro é altamente vulnerável a choques externos nesse segmento, tendo dependência internacional de cerca de 85% dos fertilizantes usados. O país é o quarto maior consumidor global desses insumos e o principal importador.

Entre os químicos e plásticos, cerca de 35% do comércio internacional passa pelo canal, segundo dados da MTM Logix. No segmento de grãos, 15% de toda a produção global é destinada aos países do Golfo, com destaque para trigo, cevada, milho e arroz.

Quem mais depende do fornecimento?

A China é o principal destino do petróleo que sai de Hormuz. Qualquer interrupção nas indústrias chinesas gera consequências para exportadores de outros países, como o Brasil. Índia, Coreia do Sul e Japão também são economias que ficam mais vulneráveis a bloqueios prolongados.

A interrupção do estreito afeta tanto as exportações quanto as importações brasileiras. Pelo lado das vendas, 23,4% de todo o frango exportado pelo Brasil tem como destino os sete países da região (Qatar, Bahrein, Irã, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Arábia Saudita); considerando todos os tipos de carne, o percentual cai para 14,8%.

O setor de madeira também é afetado: os sete países consomem 5,1% de toda a madeira exportada pelo país. Pelo lado das importações, 5,1% dos derivados de petróleo e 4,1% do plástico comprados pelo Brasil vêm da região, segundo a consultoria DataLiner/Datamar.

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