Escalada de ataques ucranianos não ajuda a encerrar guerra, diz Rússia
Porta-voz do Kremlin nega afirmação de Trump de que ataques da Ucrânia seriam meio de levar conflito ao fim
A Rússia afirmou, nesta quinta-feira (9), que os Estados Unidos estão errados ao afirmarem que os ataques ucranianos em território russo podem ajudar a pôr fim a mais de quatro anos de guerra. Segundo Moscou, as ofensivas, na verdade, podem prolongar o conflito.
Em discurso na cúpula da Otan na Turquia, na quarta (8), o secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que a Rússia estava encontrando mais dificuldades para defender o seu próprio espaço aéreo, acrescentando que isso criaria mais espaço para negociar o fim da guerra.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou: "É uma escalada, mas também uma escalada que pode ajudar a levar a um fim".
Questionado sobre as declarações, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse a jornalistas que há "certos equívocos dentro do governo da Casa Branca" a respeito da ideia de que a pressão militar poderia ajudar a pavimentar o caminho para uma solução pacífica.
Ele afirmou que essa premissa é falha, acrescentando que a "operação militar especial" na Ucrânia, como a Rússia se refere ao conflito, pode se prolongar por mais tempo como consequência.
"Isso resultará na necessidade de estabelecermos uma zona de segurança maior, uma zona-tampão maior", afirmou Peskov. "Consequentemente, alimentar as tensões e tomar medidas que levem à escalada não contribuirão de forma alguma para o processo de paz."
Três pessoas próximas ao Kremlin disseram à agência Reuters que o presidente Vladimir Putin está rejeitando os apelos para negociar a paz com Kiev e que os recentes ataques com drones ucranianos contra refinarias de petróleo e portos russos fortaleceram sua determinação de continuar lutando.
Duas delas disseram que Putin provavelmente intensificaria o conflito. E uma, que se reúne regularmente com o presidente, descreveu uma alta probabilidade de escalada nos próximos meses.
Questionado sobre a decisão de Trump de permitir que a Ucrânia fabrique interceptores de defesa aérea Patriot sob licença, Peskov disse que Moscou não se ilude quanto ao fornecimento de armas americanas a Kiev.
"Não vemos a situação com otimismo exagerado, e o presidente Putin está plenamente ciente disso. Ao mesmo tempo, há uma certa dualidade na posição dos EUA: diferentemente dos europeus, os EUA mantêm o desejo de facilitar um processo de paz. Eles podem estar enganados ou errados às vezes, mas esse desejo nos parece sincero", disse.
Os esforços de Trump para pôr fim ao conflito na Ucrânia estagnaram nos últimos meses, enquanto Washington se concentra na guerra com o Irã, mas Peskov reiterou que o Kremlin espera que a mediação dos EUA seja retomada assim que a crise no Oriente Médio for resolvida.
O Exército ucraniano afirmou, também nesta quinta, que drones do país atingiram mais uma dúzia de petroleiros russos no mar de Azov durante a noite. Esse foi o mais recente ataque em uma campanha destinada a interromper o fornecimento de combustível às forças russas e isolar a Crimeia, ocupada por Moscou.
As embarcações eram usadas para abastecer o Exército russo e transportar petróleo e derivados, burlando as sanções internacionais, escreveu o Estado-Maior do Exército ucraniano no Telegram. Acrescentou ainda que um rebocador e um navio cargueiro também foram atingidos.
Os ataques aumentam para 36 o número de embarcações alvejadas no mar de Azov e no mar Negro nos últimos quatro dias, segundo o Ministério da Defesa da Ucrânia. Entre elas, 32 petroleiros da chamada "frota paralela" russa e dois navios cargueiros. "Todos estavam tentando entregar combustível à Crimeia", escreveu o ministério.
O governador da região de Rostov, na Rússia, disse que dois petroleiros foram atacados por drones ucranianos no mar de Azov. Não houve mais comentários de Moscou.
A Ucrânia intensificou os ataques à infraestrutura logística e energética na Crimeia nas últimas semanas, contribuindo para a escassez de combustível e levando as autoridades a declararem estado de emergência na península, um centro crucial para o esforço de guerra da Rússia.
A campanha adiciona mais um ponto de pressão para os mercados de petróleo, que já estão focados no risco de interrupções no fornecimento no Golfo e na segurança das principais rotas comerciais marítimas.