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Brasil

Entre a paz e a hecatombe

Depois de partida medíocre contra Marrocos, Brasil jogará para ter um sono tranquilo ou viver um pesadelo na Copa

18/06/2026 22:20 Luís Curro Folha de S. Paulo 0 visualizações há 9 horas
Entre a paz e a hecatombe

Eu gostaria de escrever esta frase em relação à partida do Brasil contra o Haiti na Copa do Mundo: "Vai ser uma moleza!".

E escrevi, mas sem convicção. Em outros tempos, o Haiti seria uma barbada. A dúvida, só uma: goleada de quanto? Hoje, a tendência é que não seja. Nem barbada, nem goleada.

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A seleção brasileira entra em campo nesta sexta contra os haitianos, na Filadélfia (EUA), pela segunda rodada do Mundial, extremamente pressionada. Mais que o resultado (1 a 1), o desempenho contra Marrocos, na estreia, foi insatisfatório. Pífio.

A primeira meia hora dirão que é para esquecer, de péssima que foi, com os marroquinos fazendo os brasileiros correrem a esmo, sem ver a cor da bola. Eu digo que é para lembrar, fazer dessa meia hora um aprendizado e buscar fórmulas para impedir a repetição.

Nesse quadro de pressão, o Brasil, possivelmente modificado em comparação ao 11 inicial que foi a campo em Nova Jersey, enfrentará uma retranca, um paredão com nove, dez jogadores, o time todo, à frente do goleiro Placide .

Hora do italiano. Treinador com salário astronômico (R$ 5 milhões por mês), Carletto Ancelotti precisa ter treinado os brasileiros a executarem jogadas que derrubem essa parede, ou que a contornem, ou que a saltem. Está lá para resolver pepinos.

Não servirá de desculpa para inoperância o adversário jogar fechado. Sabe-se de véspera que será assim. Bola com o Brasil, marcação forte e atenta do Haiti. Que, caso consiga roubá-la, partirá em velocidade no contra-ataque.

O roteiro está previsto. O Haiti tentará repetir o que Cabo Verde, um calouro em Copas, fez com êxito diante da Espanha, que sem criatividade e rapidez e com um futebol burocrático, de toquinhos laterais, objetividade e ousadia mínimas, facilitou para a zebra: 0 a 0.

Cotado para entrar na lateral direita, Danilo afirmou ter visto os cabo-verdianos "deixarem a vida em cada bola, irem além até da saúde" para fazer "um papel bonito na Copa contra uma seleção favorita". É de esperar que os haitianos ajam da mesma forma contra o Brasil.

A mensagem de Danilo é esta: com técnica superior, é preciso ter mais disposição, mais garra que o adversário. Muita gente questiona o comprometimento desse time, desconectado do povo brasileiro porque a maioria dos atletas atua fora, em grandes ligas europeias ou não (tem dois na Rússia, tem dois na Arábia Saudita).

Difícil torcer para quem às vezes nem se conhece. Para Ibañez. Para Igor Thiago. Para Douglas Santos. Tostão pediu o Endrick. O Brasil pediu e pede o Endrick. Pois sabe quem é o Endrick.

O Endrick estava doido para jogar contra Marrocos. O ataque do Brasil, débil, clamava por ele. E Ancelotti nada, manteve o garoto no banco. Uma tola ancelottice.

Na sua idade, 67 anos, Ancelotti não pode ser tolo. Não quer começar com o Endrick? Jogo encrencado, bote-o no intervalo.

Ancelotti há de prezar pela paz para a seleção (e consequentemente para ele). Ela virá, em dose maior ou menor (somos exigentes!), com uma vitória sobre o Haiti.

Empatar ou perder (de um rival batido 100% das vezes pelo Brasil, três goleadas, 17 gols a favor e 1 contra) significará uma hecatombe, um dos piores pesadelos –só que estando acordado.

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