Entidades do serviço público defendem Lula e atacam gestão Bolsonaro
Documento que reúne entidades de carreiras da União diz que negociações salariais foram retomadas no atual governo
Dez associações e sindicatos de carreiras de elite do serviço público federal assinaram um manifesto, divulgado nesta terça-feira (20), em que criticam a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e defendem a de Lula (PT) às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, marcado para o próximo domingo (25).
O documento é assinado por entidades que representam auditores-fiscais da Receita Federal e do Trabalho, diplomatas e servidores do Itamaraty, especialistas em políticas públicas, técnicos do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), analistas de planejamento e orçamento, auditores de finanças e controle e peritos federais agrários.
O texto não cita nomes, mas compara os dois últimos governos. Afirma-se que o período de Jair Bolsonaro foi marcado pelo assédio institucional e moral e por perseguição a servidores. Sobre a gestão atual, afirma que ela retomou as negociações com o funcionalismo e concedeu reajustes —as entidades dizem que os consideram "ainda insuficientes para reparar integralmente as perdas acumuladas".
Entre as preocupações listadas estão a volta da discussão de uma reforma administrativa e o congelamento ou a redução de salários, além de restrições a novos concursos.
Essas entidades se mobilizaram contra a tramitação da PEC 32, a proposta de reforma administrativa enviada pelo governo Jair Bolsonaro.
O presidente do Sindifisco Nacional (sindicato dos auditores-fiscais da Receita), Dão Real Pereira dos Santos, afirma que o principal problema da proposta de reforma administrativa é que se trata de uma tentativa de reduzir custos, e não de melhorar os serviços públicos.
Ele diz que as entidades não negam a necessidade de aperfeiçoar os serviços, mas que há áreas com falta de investimento e demanda reprimida por atendimento.
O presidente do Sindifisco afirma que uma das preocupações é com eventuais perdas salariais. No serviço público não há regra de data-base para reajustes do funcionalismo federal; a recomposição fica a critério de cada governo, e isso não aconteceu na gestão de Bolsonaro. Na gestão atual, carreiras receberam reajuste linear de 9% em 2023 e, depois, as mesas de negociação concederam em média 24% (tudo em termos nominais).
Ele também diz que há preocupação com a possibilidade de interferência direta nos órgãos públicos. "Há uma percepção generalizada de uma visão da estrutura de Estado como se fosse inimiga."
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