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Enem cobra menos gramática e mais interpretação em inglês e espanhol

Falsos cognatos exigem atenção ao contexto e ao comando da questão

Enem cobra menos gramática e mais interpretação em inglês e espanhol

Com apenas cinco questões, a prova de inglês ou espanhol do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) pode parecer pequena diante das outras áreas do primeiro dia. Para professores, deixar as línguas estrangeiras em segundo plano é um erro estratégico.

Mais do que medir fluência, as questões exigem compreensão de textos, reconhecimento de gêneros e capacidade de relacionar informações. Na escolha entre inglês e espanhol, a recomendação é considerar o idioma com que o estudante tem mais familiaridade.

Hugo Albuquerque, professor e gerente de produtos educacionais do CNA+, afirma que o candidato deve levar em conta o contato cotidiano com a língua. "Ele deve avaliar se, em geral está mais familiarizado com um ou com outro."

A professora Alessandra Florindo, coordenadora de inglês das escolas bilíngues Pueri Domus, Carolina Patrício e Sphere International School, diz que os idiomas podem ter questões com diferentes níveis de dificuldade.

Em 2025, segundo ela , as cinco questões de inglês foram classificadas como três médias e duas fáceis, enquanto o espanhol teve duas difíceis, uma média e uma fácil.

O histórico do Enem reforça o peso da interpretação. Entre 2009 e 2025, o inglês apareceu principalmente em artigos, reportagens e notícias (35,4%), textos publicitários, campanhas e notas (15,4%), textos de cunho pessoal (13,8%), letras de músicas e poemas (13,1%) e cartuns, tirinhas e charges (11,5%).

No espanhol, 70% das questões se concentraram em interpretação e compreensão de texto; linguagem verbal e não verbal responde por 20%, e expressões da língua, por 10%.

Por isso, os professores recomendam priorizar a leitura e a compreensão do sentido geral dos textos. Segundo Alessandra, quanto maior for o vocabulário do estudante na língua estrangeira, mais facilidade ele terá para resolver questões de interpretação.

Isso não significa, necessariamente, mais facilidade para responder a perguntas de gramática.

Para Albuquerque, o estudante não precisa compreender cada palavra do texto, mas identificar sua ideia central e interpretar as informações mais importantes. "Não é que gramática e vocabulário não sejam cobrados, mas eles ficam em segundo plano."

Inglês: Estratégia vale tanto quanto vocabulário

Ao reconhecer previamente a estrutura de um gênero, o estudante consegue localizar com mais rapidez as informações relevantes e entender a função de cada elemento do texto.

Na hora da prova, outra orientação é evitar a tradução palavra por palavra. Albuquerque recomenda o "skimming e scanning", isto é, primeiro captar a ideia central e depois localizar as informações necessárias. "É entender a ideia geral do texto. Se você tivesse que resumir esse texto em uma frase, era sobre o quê?", explica o professor.

A tradução literal também pode levar a erros de interpretação, já que uma palavra pode mudar de sentido conforme a combinação com outras. Albuquerque cita os chamados "phrasal verbs" e recomenda considerar o contexto em vez de analisar termos isoladamente.

Alessandra orienta começar pela pergunta e pelas alternativas, em português, antes de voltar ao texto. "Não fique preso a uma única palavra. Aquela palavra é necessária, essencial para você entender o conteúdo do texto?", afirma.

Outro ponto de atenção são os verbos de comando. Saber se a questão pede para identificar, aplicar ou analisar ajuda a entender o que está sendo exigido e evita uma alternativa verdadeira, mas que não responde ao enunciado.

"Muitas vezes você vai ter na alternativa uma informação verídica que está no texto. Mas o estudante deve questionar o que foi perguntado", afirma Alessandra.

Além disso, séries, músicas, redes sociais e textos jornalísticos ampliam o vocabulário e ajudam a reconhecer gêneros e sentidos no inglês.

Alessandra afirma que acompanhar notícias e atualidades, por exemplo, amplia a familiaridade com temas que podem aparecer no exame e reduz a ansiedade do candidato.

"Minha dica para os alunos é: estejam atentos às notícias, leiam atualidades também, saibam o que está sendo falado no dia a dia", afirma a professora.

Espanhol: Proximidade com o português exige cuidado

No espanhol, a proximidade com o português facilita a compreensão, mas pode induzir ao erro. Para Albuquerque, semelhanças gramaticais servem de "âncora" na interpretação.

A estratégia é aproveitar o que as duas línguas têm em comum sem presumir que as palavras tenham sempre o mesmo significado. "O estudante vai encontrar tempos verbais que são muito próximos dos tempos verbais de português. Então, já é um caminho, uma âncora muito importante", afirma Albuquerque.

O principal cuidado deve ser com os falsos cognatos, que são palavras parecidas com termos do português, mas que têm outro significado. Por isso, além de conhecer alguns casos recorrentes, é importante analisar cada palavra dentro do contexto da questão.

"Essa confiança ou esse excesso de confiança com essa proximidade com o português pode levar exatamente a essas armadilhas, como os falsos cognatos", afirma o professor.

A linguagem verbal e não verbal também aparece com frequência no espanhol. Charges, cartuns e tirinhas exigem que o estudante relacione o texto às imagens e às situações apresentadas.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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