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'Dizer que mercado aceitou Fonteles é forçar a tinta', diz gestor

Sérgio Machado, sócio da MAG, afirma que investidores estão mais preocupados com declarações do presidente para o fiscal

'Dizer que mercado aceitou Fonteles é forçar a tinta', diz gestor

A Faria Lima não está tão animada com Rafael Fonteles, governador reeleito do Piauí, como um dos principais cotados para o Ministério da Fazenda. Segundo o gestor Sérgio Machado, sócio da MAG Investimentos, dizer que o mercado aceitou o nome "é um chute".

"Se alguém disser que o nome foi bem aceito no mercado está forçando a tinta", disse à coluna. Segundo Machado, mais importante do que definir quem comandará o Ministério da Fazenda agora, é observar as declarações do presidente Lula para o fiscal.

As falas corroboram o que disseram à coluna outros gestores que preferiram não se identificar. O Painel S.A. conversou com sete grandes executivos que fazem a gestão de patrimônios na Faria Lima. Eles disseram que, apesar de Fonteles ter um bom currículo, o mercado no geral não conhecia o nome.

Os comentários foram de: "não é um nome ruim" a "parece uma boa opção". Mas parou por aí. As incertezas ainda são grandes.

Primeiro porque, slguns gestores estão incrédulos com a ideia de que o governador, que tem boa popularidade, sendo reeleito no primeiro turno com 71%, vá sair do cargo para assumir uma pasta problemática para a sua imagem, já que ele terá a missão de adotar medidas impopulares para ajustar as contas públicas e conter o crescimento explosivo da dívida pública.

Além disso, como disseram dois gestores à coluna, é preciso ver se o novo ministro da Fazenda terá liberdade técnica para organizar as contas públicas, ou se terá seu trabalho cerceado pela ala política do governo Lula. Um deles lembrou que o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também foi uma indicação bem vista pela Faria Lima, mas com o tempo o mercado percebeu interferências políticas em seu trabalho.

Na última terça (27), o responsável pela articulação política do presidente Lula, José Guimarães, que é ministro da Secretaria de Relações Institucionais, afirmou à imprensa que um pacote de ajuste fiscal não é prioridade até o fim do ano e não está sendo discutido pelo governo. O mercado, porém, cobra urgência na apresentação de medidas fiscais que contenham o crescimento explosivo da dívida pública para acalmar os ânimos, depois de a Bolsa derreter após a reeleição do petista.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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