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Denúncias de violência infantojuvenil crescem 125% em 5 anos

As crianças e adolescentes do sexo feminino representaram 62% das vítimas, segundo dados do Ministério da Saúde. Leia no Poder360.

05/07/2026 08:40 Poder360 · Poder360 0 visualizações há 7 dias
Denúncias de violência infantojuvenil crescem 125% em 5 anos

As denúncias de violência contra crianças e adolescentes mais que dobraram nos últimos 5 anos, segundo dados do Ministério da Saúde. Em 2020, o Sistema de Informações de Agravos de Notificação recebeu 73.635 ocorrências, número que subiu para 165.413 em 2025, representando crescimento de 125%.

Os dados foram analisados pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e divulgados na última semana. Segundo a pesquisa, de 2020 a 2025, o Sinan recebeu 685.629 notificações que envolviam vítimas de 0 a 18 anos.

A grande maioria das denúncias tem garotas como as vítimas. Enquanto os meninos aparecem em 38% dos casos, as crianças e adolescentes do sexo feminino representaram 62% das vítimas. Em relação ao perfil racial, 49,1% das vítimas foram classificadas como pardas, 35,7% como brancas e 7,6% como negras.

A violência sexual apareceu como a ocorrência mais frequente, ao concentrar 34% das notificações. Em seguida estão casos de negligência e abandono, com 33,3%, e violência física, com 32,9%.

Segundo o estudo, o ambiente doméstico é o local em que a maioria das agressões é registrada. A mãe da vítima foi identificada como a agressora em 34% dos casos, enquanto o pai teve envolvimento em 26% das ocorrências registradas.

Na análise por faixa etária, a adolescência concentra 43% das notificações, com 294.010 registros. Entre a 1ª infância, que atinge crianças de até 6 anos, surgiram 256.601 casos (37,5%). Na 2ª infância, de 7 a 12 anos, foram 135.018 casos (20%).

Para o psiquiatra e presidente da SPDM Ronaldo Laranjeira, o volume de notificações demonstra que a violência contra crianças e adolescentes segue como um grave e persistente problema no país.

“Quando uma criança ou adolescente é vítima de violência, os impactos podem ultrapassar o momento da agressão e se estender por toda a vida. Estamos falando de consequências físicas, emocionais, sociais e educacionais que podem comprometer o desenvolvimento e aumentar vulnerabilidades futuras. Por isso, é fundamental fortalecer a atuação integrada entre saúde, assistência social, educação e sistema de justiça”, diz Laranjeira.

No período analisado, todas as regiões do Brasil registraram aumento nas notificações. Os Estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram, juntos, 52% de todas as notificações registradas no período analisado.

O Nordeste liderou o ranking de variação percentual com um salto de 1.200%, seguido das regiões Norte (809%), Centro-Oeste (508%), Sul (421%) e Sudeste (221%).

Para a SPDM, os resultados reforçam a importância da qualificação contínua dos profissionais para identificação precoce dos sinais de violência, do fortalecimento das redes de proteção e da ampliação das ações de prevenção voltadas às famílias e comunidades.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil em 30 de junho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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