De onde vem a vontade de ostentar; veja vídeo
Status, pertencimento e redes sociais alimentam a ostentação
Um relógio que mostra as horas. Mas tem gente disposta a pagar até 100 vezes mais por outro que faz praticamente a mesma coisa.
Carros de luxo, celulares recém-lançados. Tudo isso rende milhões de visualizações nas redes e ajuda a construir uma imagem de sucesso e prestígio.
Mas de onde vem essa vontade de ostentar? Para especialistas, tem a ver não só com status, mas também com pertencimento.
"Você vai pertencer a uma tribo, então, na verdade, ela [a ostentação] vai fazer se aproximar do que você espera. A vaidade faz parte do processo, mas ela não é o principal. Eu estou muito mais querendo pertencer a um grupo que usa determinada marca", diz o pesquisador da área de consumo Nelsio Rodrigues.
"A gente está sempre tentando encontrar um lugar na régua. Tentando encontrar um lugar que diga para a gente onde a gente está, como a gente está na fita. E daí a necessidade de ostentar vem primeiro dessa insegurança mesmo. Quem precisa ostentar é quem não tem muita certeza de onde está nessa régua", explica a psicóloga econômica Vera Rita Ferreira.
E as redes sociais deram uma nova dimensão a essa lógica do pertencimento. Isso porque hoje as pessoas comparam seu padrão de consumo não só com o de pessoas próximas. Mas também com o de gente de outros grupos e países.
"Isso explica, por exemplo, o comportamento de manada, como a gente chama. Todo mundo vai atrás. Agora, com as redes sociais, virou uma coisa delirante", afirma Ferreira.
Um grande problema é quando a necessidade de consumir e ostentar não cabe no orçamento. Nas redes sociais, até pegou a expressão "pobreza de luxo", que descreve situações em que uma pessoa consegue ter acesso a padrões de consumo mais altos.
Só que, para isso, fica cheia de parcelas para pagar. E em muitos casos, acaba se endividando. Um ciclo que pode ser alimentado justamente pela exposição constante às redes sociais.
"Acaba com a paz de espírito, principalmente das pessoas que estão mais inseguras, mais insatisfeitas, mais infelizes até", diz a psicóloga
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