Crise bancária leva manifestantes às ruas do Paraguai
Atos pedem a saída do presidente depois que Banco Central assumiu controle do Ueno Bank e que 8 dirigentes foram presos. Leia no Poder360.
Depositantes e aposentados que tinham dinheiro no Ueno Bank foram às ruas no Paraguai na 3ª feira (3.nov.2026) exigir a devolução integral de seus recursos, depois que o Banco Central do país assumiu o controle da instituição e que 8 dirigentes foram presos.
Segundo o jornal paraguaio ABC Color, centenas de manifestantes se concentraram no centro de Assunção, em frente ao Panteón Nacional de los Héroes.
O ato começou de forma pacífica, mas evoluiu para confrontos quando um grupo tentou avançar em direção à sede do Congresso e foi contido pela Polícia Nacional. Houve correria e choques com as forças de segurança em diferentes pontos da zona histórica da capital paraguaia.
AHORA EN PARAGUAY, los ahorristas no pueden retirar su dinero. La derecha arma la fuga y después las consecuencias las paga el pueblo. En Argentina ya lo vivimos en 2001. Quiero ver a los libertarios cuando no puedan retirar sus ahorros, agarrándose los huevos contra la puerta. https://t.co/6zAHpZO7go
— fabio rosales (@fabiorosales2) November 4, 2026
Paralelamente aos incidentes no centro da cidade, outro grupo de manifestantes se reuniu em frente à Mburuvicha Róga, residência oficial do presidente Santiago Peña (Partido Colorado, direita).
Os manifestantes dirigiram as críticas diretamente ao chefe de Estado e cobraram a devolução dos recursos do IPS (Instituto de Previsión Social) e de fundos de aposentadoria que mantinham investimentos na instituição financeira.
Com cartazes, os manifestantes exigiram que o Estado garanta a devolução integral dos fundos. “O Estado deve garantir 100% dos fundos”, dizia uma das mensagens.
Parte dos manifestantes pedia que o próprio presidente da República responda judicialmente pelo caso e seja preso. No local, também foram registrados atritos e empurrões com policiais.
Na 2ª feira (2.nov.2026), o Banco Central do Paraguai decidiu, por unanimidade, iniciar o chamado procedimento de resolução do Ueno Bank, depois de constatar que o índice de solvência do banco havia caído para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação.
O banco digital Ueno Bank tinha cerca de 2,9 milhões de clientes. Com a abertura do procedimento, as operações da instituição foram suspensas, e os depósitos dos ficaram temporariamente indisponíveis enquanto as autoridades definem o mecanismo de resolução e a forma de restituição dos recursos.
O Fundo de Garantia de Depósitos do Paraguai garante a cobertura de até 228,3 milhões de guaranis (cerca de R$ 210 mil) por depositante e por instituição financeira.
A Fiscalía ordenou a prisão de 8 dirigentes e ex-dirigentes do banco, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.
Com a crise, o presidente do Paraguai pediu a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Cavallo, que havia sido dirigente do Ueno Bank. Carvallo apresentou sua renúncia na 3ª feira (3.nov).
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