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Criadores de salmão passam a usar derivados de frango na ração

Alta no preço da farinha de peixe leva criadores a buscar fontes de proteína mais baratas

Criadores de salmão passam a usar derivados de frango na ração

Londres |Financial Times As maiores produtoras de salmão da Europa começam a alimentar seus peixes com frango, rompendo um tabu antigo na busca por fontes baratas de proteína.

Supermercados do Reino Unido e de outros países europeus se recusaram durante anos a vender salmão criado com subprodutos de animais de criação, por temerem uma reação negativa de consumidores que poderiam considerar a prática "antinatural".

A Lerøy Seafood Group, uma das maiores produtoras de salmão da Noruega e fornecedora da rede britânica Tesco, disse ao Financial Times que passou a utilizar subprodutos de frango em todas as suas fazendas de salmão em alto-mar.

A Mowi, maior produtora de salmão do mundo e fornecedora de supermercados britânicos como Sainsbury's e Asda, planeja introduzir ração à base de aves em suas fazendas na Noruega e na Escócia, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

"Esta é uma questão muito delicada", disse Margareth Øverland, professora de nutrição aquícola da Universidade Norueguesa de Ciências da Vida.

"Historicamente, os consumidores têm sido muito céticos. Mas o mercado parece estar mais preparado agora."

A norueguesa Grieg Seafood introduziu farinha e óleo de frango em julho, enquanto a SalMar, segunda maior produtora de salmão do mundo, começou a testar o uso de aves na ração em março.

O uso de subprodutos de animais de criação na alimentação de peixes foi proibido no Reino Unido até 2013, por receio de que a prática pudesse disseminar doenças como a encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca.

Agora, os produtores de salmão defendem o uso de frango como forma de reduzir custos e emissões de carbono.

O preço da farinha de peixe tradicional, produzida a partir de peixes selvagens, quase dobrou nos últimos dois anos, em meio à redução dos estoques pesqueiros e ao aumento da demanda da China. A farinha de aves custa menos da metade por tonelada.

"Os salmões são carnívoros e, na natureza, comem outros peixes. Portanto, alimentá-los com frango é perfeitamente natural", disse um executivo de uma grande fabricante de ração para salmões.

Parte do frango utilizado pela Lerøy como ração vem do Reino Unido, segundo os relatórios de sustentabilidade da empresa. Isso significa que subprodutos de granjas britânicas são enviados à Noruega para processamento e usados na alimentação de salmões que, depois, são exportados de volta ao Reino Unido.

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Em 2021, a Tesco afirmou que proibia o uso de farinha e óleo derivados de aves na ração para peixes. Em 2024, a Waitrose declarou que não permitia o uso de proteínas animais processadas na alimentação de peixes.

A Tesco não respondeu a reportagem sobre possíveis mudanças em sua posição. A Waitrose se recusou a comentar.

Jim Bligh, diretor de políticas alimentares do British Retail Consortium, associação do setor varejista britânico, afirmou: "Os varejistas trabalham em estreita colaboração com seus fornecedores para obter rações mais sustentáveis, levando em conta fatores como o impacto ambiental dos ingredientes e alternativas que possam reduzir a pressão sobre as espécies de peixes capturadas na natureza."

Justine Butler, chefe de pesquisa da organização britânica de defesa dos direitos dos animais Viva!, disse que, em relação ao uso de ração à base de aves, "consumidores que tentam evitar o frango por preocupações com o bem-estar animal ou o meio ambiente podem razoavelmente esperar ser informados".

A mudança pode gerar ganhos para a indústria britânica de frango.

Alistair Collins, diretor da processadora de subprodutos animais JG Pears, afirmou que a demanda crescente dos criadores de salmão está elevando o valor dos restos de frango. "A aquicultura se tornou um mercado importante", disse.

A necessidade de proteínas alternativas foi intensificada pelo El Niño excepcionalmente forte deste ano, que prejudicou a pesca de anchovas na costa do Peru. O país normalmente responde por 20% da produção mundial de farinha de peixe.

A partir deste mês, espera-se que os fabricantes de ração para salmão reduzam o uso de blue whiting, espécie de peixe também conhecida como verdinho. Ela perdeu sua certificação de sustentabilidade depois que países europeus não conseguiram chegar a um acordo sobre cotas de pesca.

Jørgen Skeide, gerente de ração da Lerøy, afirmou: "Dada a escala de nossa operação, precisávamos de uma alternativa à farinha de peixe [...] A farinha de aves era a única matéria-prima que atendia a todos esses requisitos."

Stein Alexander Aukner, chefe de pesquisa de ações do banco DNB Carnegie, disse: "A vantagem é que o mercado de frango cresce acompanhando o consumo, enquanto as capturas de peixes selvagens permanecem estáveis desde a década de 1980."

Os subprodutos de frango são partes da ave consideradas impróprias para o consumo humano, como ossos, fígado e cérebro. Algumas partes, como as penas, ficam de fora.

Criadores de salmão no Chile e no Canadá usam esses subprodutos há anos, mas os produtores europeus demoraram mais para adotar a prática.

Um estudo de 2026 do instituto de pesquisa alimentar Nofima constatou que consumidores do Reino Unido e da França consideravam "antinatural e repugnante" alimentar salmões com frango, segundo Florent Govaerts, pesquisador da instituição.

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É improvável que os consumidores saibam se o salmão que compram foi alimentado com frango, já que os varejistas não são obrigados por lei a informar nas embalagens os ingredientes usados na ração dos peixes.

A Asda não respondeu aos pedidos de comentário. A Sainsbury's disse ao Financial Times que proíbe ingredientes derivados de aves na ração de salmões vendidos sob sua marca própria, mas não esclareceu se a regra também se aplica a marcas de terceiros.

Fonte original Publicado originalmente por Folha de S. Paulo
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