Campo Grande, MS | 26°C | 26 de Outubro de 2026
AO VIVO 01:56
Economia

Conta da 'babaquice' fiscal terá de ser paga pelo próprio Lula

Ao contrário de Dilma, que se livrou dos problemas que criou, presidente terá de responder pelos seus

Conta da 'babaquice' fiscal terá de ser paga pelo próprio Lula

Na campanha, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamou de "babaquice" a obsessão por superávit primário e controle de contas. Reeleito para o quarto mandato a partir de 2027, o petista terá de encarar a matemática que tentou esconder.

A soberba não deve resistir aos fatos e, vitorioso, terá de resolver o problema que criou para si. Em 2027, a economia deve perder fôlego enquanto o país continuará queimando somas astronômicas com juros —recursos que poderiam financiar investimentos e políticas sociais.

A ironia de 2026 é incômoda. O país sai das urnas com renda em alta e desemprego baixo, mas trata-se de uma ilusão sustentada por veneno fiscal. A bomba-relógio atingiu seu ápice. A 17 dias do primeiro turno, o governo reajustou o Bolsa Família em 15%, além de ampliar o Pé-de-Meia, subsídios a combustíveis e benefícios sociais.

O mercado estima que essas e outras promessas ultrapassem R$ 100 bilhões em gastos nos próximos anos —com ao menos R$ 40 bilhões adicionados já no ano que vem. Para 2026, o déficit projetado ronda R$ 80,9 bilhões, transformando em ficção o Orçamento que previa superávit de R$ 18,6 bilhões.

Essa deterioração começou no segundo mandato de Lula (2007-2010). Se entre 2002 e 2008 o superávit primário médio era de 3,4% do PIB, de 2009 a 2013 caiu para 1,5% —maquiado por contabilidade criativa. O descontrole culminou na recessão e no impeachment de Dilma Rousseff —que, ao contrário de Lula agora, livrou-se de responder pela crise que criou.

Corrigida pela inflação, a despesa total do governo central subiu 128,5% entre dezembro de 2008 e agosto de 2026. A despesa primária cresceu 91,7%.

Mas a verdadeira extorsão contra o contribuinte são os gastos juros: deram um salto de 320%, passando de R$ 260 bilhões para mais de R$ 1 trilhão por ano —valor equivalente ao pago a 42 milhões de beneficiários da Previdência Social.

Sob Lula 3, a dívida bruta subirá 12 pontos percentuais, atingindo 82,9% do PIB (R$ 11,1 trilhões). Com juros elevados, a conta da dívida passou a responder por 29,6% de todo o gasto público em 2026 (contra 16,1% em 2008), encolhendo o espaço para investimentos.

Além disso, o Orçamento virou uma camisa de força: 92% das despesas são obrigatórias. Previdência, assistência, saúde e educação engolem mais de 80% dos recursos.

Para estabilizar a dívida, Lula precisaria de um ajuste fiscal de 2,5% do PIB —cerca de R$ 320 bilhões— para garantir superávits de pelo menos 2% do PIB.

Na campanha, prevaleceu a demagogia. Agora, Lula terá de escolher entre reorganizar os gastos obrigatórios ou deixar que o mercado o obrigue a fazê-lo em meio a uma crise de confiança, recessão e, possivelmente, inflação.

Nos mercados futuros de Nova York na noite da eleição, o principal índice de ações brasileiras despencava 20% enquanto o real se desvalorizava mais de 10%.

Sua vitória com margem significativa, com cerca de 4 milhões de votos, no entanto, lhe confere legitimidade para agir. Nesse contexto, o anúncio de um ministro da Fazenda comprometido com o ajuste de contas pode comprar tempo para reorganizar a economia.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
Ver na fonte
Compartilhe

Comentários 0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.

0