Campo Grande, MS | 26°C | 21 de Outubro de 2026
AO VIVO 11:53
Economia

Conselhos de administração da SpaceX e da Tesla avaliam possível fusão

Elon Musk diz que combinação de negócios

Conselhos de administração da SpaceX e da Tesla avaliam possível fusão

Londres e San Francisco |Financial Times SpaceX e Tesla estudam uma fusão para unir as duas empresas de capital aberto de Elon Musk em uma operação de vários trilhões de dólares, que seria o maior negócio de todos os tempos.

"Há muitas vantagens em combinar as duas empresas, já que estamos praticamente na singularidade da superinteligência", disse Musk nesta terça-feira (20).

O homem mais rico do mundo afirmou que ambas as empresas formaram comitês especiais para analisar uma possível união. A iniciativa representa o maior avanço até agora rumo a uma fusão que criaria um amplo conglomerado voltado à IA e potencialmente avaliado em mais de US$ 3 trilhões (R$ 15 tri).

"Acho que seria uma boa ideia, mas, em última análise, os acionistas precisam apoiar a operação", disse Musk, acrescentando que, por ser presidente-executivo das duas empresas, não pode participar das discussões.

A fabricante de carros elétricos tem colaborado estreitamente com a SpaceX, inclusive no Terafab, uma gigantesca iniciativa de fabricação de semicondutores no Texas que, em última instância, poderá custar US$ 119 bilhões.

As ações da Tesla subiram cerca de 1% após o fechamento do mercado, enquanto as da SpaceX avançaram 4,5% após a empresa divulgar resultados sólidos.

A SpaceX informou que sua receita trimestral disparou 161%, impulsionada por acordos de aluguel de seus data centers, que elevaram as vendas e os lucros.

A receita mais que dobrou, para US$ 14,6 bilhões (R$ 73,1 bi) no terceiro trimestre, ante US$ 5,6 bilhões ( R$ 28,1 bi) um ano antes, superando as estimativas dos analistas, de US$ 12,9 bilhões (R$ 64,6 bi), segundo resultados divulgados pela empresa nesta terça-feira (20).

A SpaceX registrou lucro líquido de US$ 4,4 bilhões (R$ 22 bi) nos três meses encerrados no fim de setembro, acima dos cerca de US$ 2 bilhões (R$ 10,02 bi) esperados por Wall Street. No mesmo período do ano passado, a empresa teve prejuízo líquido de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,51 bi).

O desempenho acima do esperado foi impulsionado pelas vendas de serviços de computação em nuvem. A receita com IA disparou nove vezes, para US$ 7,6 bilhões (R$ 38,08 bi), ante US$ 813 milhões (R$ 4,07 bi) um ano antes, e triplicou em relação aos US$ 2,56 bilhões (R$ 12,83 bi) registrados no trimestre anterior.

A SpaceX continuou a investir pesadamente em IA. Os gastos de capital subiram para US$ 19,6 bilhões (R$ 98,2 bilhões), ante US$ 18,4 bilhões (R$ 92,18 bilhões) no trimestre anterior, e superaram os US$ 18 bilhões (R$ 90,18 bilhões) previstos pelo consenso de analistas compilado pela FactSet. Os investimentos relacionados à IA responderam pela maior parte dos gastos.

Musk transformou rapidamente a empresa em uma provedora de centros de dados para IA, fechando acordos para alugar sua capacidade computacional excedente. Desenvolvedoras concorrentes de modelos de IA, sobretudo a Anthropic e o Google, têm demonstrado disposição para pagar preços elevados para garantir acesso aos chips necessários para treinar e executar seus modelos.

Musk afirmou estar sendo "pressionado incessantemente por todos os hiperescaladores e por dezenas de empresas menores a alugar uma parcela maior de nossa capacidade computacional. Poderíamos alugar toda a nossa capacidade várias vezes se disséssemos sim a todos".

A SpaceX informou que tinha 1,7 gigawatt de capacidade computacional instalada no fim de setembro. A capacidade conjunta de seus dois centros de dados Colossus já supera os 1,5 gigawatt de potência ativa que a CoreWeave, a maior empresa de "neonuvem" com ações negociadas em bolsa, tinha em operação no fim de junho.

Em teleconferência com investidores, Musk afirmou que ficaria "surpreso" se a SpaceX não atingisse 13 gigawatts até o fim do próximo ano. Segundo ele, existe uma "pequena possibilidade, mas diferente de zero", de a capacidade chegar a 20 gigawatts.

As ações da empresa subiram 4,5% nas negociações após o fechamento do mercado.

A entrada oportunista de Musk no mercado de aluguel de data centers se transformou em um negócio lucrativo, mas também gerou preocupações de que os esforços internos da SpaceX em IA não estejam avançando como esperado.

Conheça o Falcon 9, o principal foguete da SpaceX

Carregando...

O balanço é o segundo divulgado pelo grupo de foguetes e IA desde que a empresa levantou US$ 86 bilhões (R$ 430,86 bilhões) em seu IPO (oferta pública inicial de ações), o maior da história, em junho, com avaliação de US$ 2 trilhões (R$ 10,02 trilhões). As ações dispararam inicialmente, mas caíram do pico de US$ 225 (R$ 1.127,25), registrado na semana seguinte à estreia na Bolsa, para US$ 148 nesta terça-feira (20).

A receita da Starlink, rede de 11 mil satélites de banda larga da empresa, subiu para US$ 5,2 bilhões (R$ 26,1 bi), ante US$ 3 bilhões (R$ 15,06 bi) no ano anterior. A divisão registrou lucro líquido de US$ 2,4 bilhões (R$ 12,05 bi) no trimestre.

O negócio de lançamentos da SpaceX faturou US$ 1,8 bilhão (R$ 9,04 bi), mas teve um pequeno prejuízo no período. No mês passado, o foguete Starship, do tamanho de um arranha-céu, chegou à órbita pela primeira vez e lançou 26 satélites Starlink V3, que, segundo a empresa, aumentarão significativamente a capacidade da rede.

O foguete de 122 metros é fundamental para as ambições futuristas de Musk de construir uma rede de data centers orbitais para IA, criar uma economia lunar e colonizar Marte. Nesta terça-feira (20), ele afirmou que a SpaceX tentará capturar os estágios do propulsor e da espaçonave com braços mecânicos chamados "Mechzilla" durante o próximo voo de teste, previsto para novembro.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
Ver na fonte
Compartilhe

Comentários 0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.

0