Como cúpula de calor mantém temperaturas elevadas na Europa
Sociedade Real de Meteorologia descreve sistema de alta pressão como tampa sobre panela
Pela segunda vez neste ano, muitas partes da Europa ocidental e central enfrentam um período prolongado de calor extremo, com temperaturas recordes previstas para esta semana.
A onda de calor está sendo impulsionada por uma forte área de alta pressão estacionada sobre a Europa continental. Esse fenômeno é frequentemente chamado de cúpula de calor, também domo de calor.
O que é uma cúpula de calor?
Uma cúpula de calor é uma grande e persistente área de alta pressão nas camadas superiores da atmosfera que permite o acúmulo de calor sobre uma região por vários dias. Elas ocorrem em todo o mundo.
A Sociedade Real de Meteorologia, em Reading, na Inglaterra, descreve o sistema de alta pressão como uma tampa sobre uma panela. Ele limita a ascensão do ar, o que significa que o ar quente próximo à superfície da Terra não consegue subir e formar nuvens. Com menos nuvens, há mais sol, levando o solo a se aquecer dia após dia.
A agência meteorológica da França, Météo-France, afirma que esses sistemas persistentes de alta pressão também podem bloquear ou desviar frentes meteorológicas que passam pela região, resultando em condições com poucas nuvens e pouca chuva.
O efeito de "tampa" também ajuda a reter e reciclar o calor. À medida que o ar quente desce dentro do sistema, ele é comprimido e aquece ainda mais, assim como o ar se aquece dentro de uma bomba de bicicleta quando é pressionada, tornando o ar aprisionado cada vez mais quente e elevando as temperaturas de forma constante.
A combinação de sol prolongado e ar descendente que se aquece permite que o calor se acumule gradualmente, aumentando a probabilidade de temperaturas extremas durante as ondas de calor.
As temperaturas desta semana devem quebrar recordes?
De acordo com o serviço meteorológico britânico, o Met Office, a onda de calor europeia desta semana deve elevar as temperaturas em cerca de 10 graus Celsius acima do normal para esta época do ano em grande parte da Europa ocidental e central.
Partes do sul da Grã-Bretanha receberam um raro alerta vermelho de calor extremo, o nível mais alto, válido da manhã de quarta-feira (24) até a noite de quinta-feira (25).
Os meteorologistas do Met Office afirmaram que as temperaturas podem chegar a 40 graus Celsius em partes do País de Gales e do centro e sul da Inglaterra, incluindo Londres. Isso pode levar ao dia mais quente já registrado para esta época do ano e ser a segunda vez na história que a marca de 40 graus é atingida ou ultrapassada.
Na França, mais da metade do país está sob alerta vermelho para condições de onda de calor, o nível mais alto. O Météo-France disse que "temperaturas excepcionalmente altas, tanto de dia quanto de noite" são esperadas.
Espanha, Portugal, Suíça, Luxemburgo e Alemanha estão todos sob alertas de calor de alto nível, com temperaturas previstas entre 37 e 45 graus Celsius.
O episódio de calor extremo ocorre pouco depois de uma onda de calor recorde em maio, quando as temperaturas tanto na Grã-Bretanha quanto na França atingiram os níveis mais altos já registrados para o mês.
Cúpulas de calor estão acontecendo com mais frequência?
Embora sistemas de alta pressão ou cúpulas de calor façam parte da variabilidade natural do clima, cientistas afirmam que as mudanças climáticas estão aumentando a frequência e a intensidade desses eventos extremos de calor.
Hannah Cloke, professora de meteorologia e ciência climática na Universidade de Reading, afirmou que uma atmosfera mais quente está funcionando como um "trampolim de aquecimento", o que significa que, quando as cúpulas de calor se formam, elas partem de uma base mais quente e podem desencadear ondas de calor com mais facilidade.
"Ao mesmo tempo, há algumas evidências de que padrões de bloqueio de alta pressão mais persistentes podem se desenvolver, permitindo que o clima britânico, famoso por ser instável, fique preso em uma mesma posição por mais tempo, fazendo com que o calor se acumule e persista."
Essa combinação de um clima mais quente e padrões climáticos mais persistentes significa que, uma vez que uma onda de calor se desenvolve, é mais provável que ela se intensifique e perdure.
O Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus da União Europeia acrescenta que essas ondas de calor prolongadas também têm impactos mais amplos no meio ambiente. Condições de calor durante ondas de calor, combinadas com a falta de chuvas, podem ressecar a vegetação, criando "condições ideais para grandes incêndios florestais", afirmou o órgão.