Com retrocessos em pautas sociais, grupos empresariais fazem manifesto
Texto diz que democracia, direitos humanos e respeito às diferenças são valores inegociáveis
Grupos empresariais acabam de soltar um manifesto em favor da diversidade, equidade e inclusão nas companhias. O movimento acontece em meio a um retrocesso em relação a pautas sociais nas empresas.
Um levantamento da Data-Makers mostra que subiu neste ano, de 20% para 26%, o número de executivos que planejam diminuir os investimentos em ESG (sigla para uma agenda que segue pautas ambientais, sociais e de governança nas empresas).
Segundo o manifesto, o mundo vive um período em que direitos e valores que pareciam consolidados voltaram a ser questionados em diferentes partes do mundo.
"Os últimos anos nos lembraram que conquistas sociais não estão garantidas para sempre. É preciso proteger direitos, fortalecer instituições e cuidar da democracia todos os dias", diz o texto.
O material foi assinado pelas entidades Movimento Mulher 360, Pacto Global da ONU - Rede Brasil, Fórum de Empresas e Direitos LGBTI+, Rede Empresarial pela Inclusão Social, Mover, Fórum Gerações e Futuro do Trabalho, Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas, Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero e Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial.
O manifesto defende que democracia, direitos humanos e respeito às diferenças são valores inegociáveis.
"Defendemos o direito de cada pessoa viver, trabalhar e desenvolver seu potencial com segurança e dignidade. São princípios amparados pela Constituição brasileira, pelos direitos humanos e pelos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil."
O texto diz que, para promover uma inclusão real, as companhias precisam escutar, promover acessibilidade e oportunidades reais de desenvolvimento e liderança, considerando que alguns grupos da sociedade enfretam barreiras de forma mais intensa.
O manifesto também fala da influência das escolhas das empresas na sociedade, que vão além de seus espaços, afetando carreiras, famílias, fornecedores, comunidades e territórios. E acrescenta que essas mesmas escolhas também impactam os negócios.
"Atrair e desenvolver talentos, inovar e compreender consumidores e mercados diversos exige incorporar diferentes experiências e perspectivas às decisões. Diversidade, equidade e inclusão contribuem para a relevância e a competitividade das organizações", afirma o texto.
"Defendemos o trabalho digno, a prevenção da discriminação e da violência e o respeito aos marcos legais que protegem direitos. Reconhecemos, ainda, que instituições sólidas, segurança jurídica, liberdade e pluralidade são fundamentais para o desenvolvimento econômico sustentável e a prosperidade do Brasil", completa.
Comentários 0
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.