Coligação de Lula diz que Flávio fugiu para não enfrentar Justiça
Senador fugiu para os Estados Unidos 2 dias depois de perder as eleições presidenciais no Brasil. Leia no Poder360.
Senador fugiu para os EUA 2 dias depois de perder as eleições presidenciais; nesta 4ª feira (28.out), declarou-se “líder do Brasil”
Os partidos da coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) divulgaram, nesta 4ª feira (28.out.2026), uma nota em que afirmam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) “fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira”. Flávio fugiu para os Estados Unidos 2 dias depois de perder as eleições presidenciais: recebeu 48,21% dos votos contra 51,79% de Lula.
Na tarde desta 4ª feira (28.out), o senador publicou uma carta em que se declara o “verdadeiro presidente eleito”. Depois, Flávio recuou e se definiu como “líder do Brasil”. Leia a íntegra (PDF – 496 kB).
“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições”, lê-se na nota.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), tem maior proximidade com a família Bolsonaro. Apesar disso, o norte-americano não endossou a declaração de Flávio.
#vídeo 🎥 Trump evita apoiar fala de Flávio sobre “verdadeiro presidente”
🗣️ O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (@POTUS) (Partido Republicano), evitou, nesta 4ª feira (28.out.2026), apoiar a declaração do senador Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) (PL) de que seria o “verdadeiro presidente” do Brasil. Questionado por um jornalista sobre o assunto, o presidente americano disse não querer se pronunciar.
Em um discurso divulgado nas redes sociais, o candidato ao Planalto derrotado no 2º turno das eleições presidenciais no domingo (25.out.2026) afirmava, em uma 1ª versão, ser o “verdadeiro presidente eleito”. Uma hora depois, Flávio alterou o texto e se autodenominou “líder do Brasil”.
Na carta, Flávio afirma, sem provas, que as eleições foram fraudadas: “A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do 1º para o 2º turno”.
Flávio se refere ao fato de que o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, permitiu uma prorrogação da votação para até as 19h. O magistrado acatou um pedido da campanha do PT, mas a campanha de Flávio também havia pedido a prorrogação do pleito.
Além disso, durante o período de prorrogação, 34.808 eleitores votaram. Lula venceu Flávio por 4,4 milhões de votos.
“A soberania popular se manifestou através do voto livre e universal, após 2 turnos, com a eleição incontestável dos representantes do povo para a Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas e Distrital, além dos governadores e Presidente da República”, afirmou a coligação.
Os partidos também afirmaram que não é a 1ª vez que a família Bolsonaro “se recusa a aceitar a vontade das urnas”. Pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi preso por tentativa de golpe de Estado. Além disso, segundo a Polícia Federal, o ex-presidente sabia do plano para tentar matar Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
O Poder360 procurou o Palácio do Planalto por meio de e-mail para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito da carta de Flávio Bolsonaro. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Flávio Bolsonaro, sua mulher e as duas filhas adolescentes do casal fugiram do Brasil na noite de 3ª feira (27.out). Cruzaram a fronteira com a Argentina e, de lá, seguiram para os Estados Unidos, com breve parada no Equador.
A mando de Moraes, a Polícia Federal intimou o senador a entregar seus passaportes, na 2ª feira (26.out). O pedido da PF a Moraes, que originou a intimação, foi feito só 7 minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter declarado o resultado da eleição presidencial.
A vitória de Lula foi confirmada pelo TSE às 21h09 –no total, foram 64.256.232 votos (51,79%) do petista contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio. A representação da PF foi assinada às 21h16. O magistrado avalizou no mesmo dia o pedido da PF para apreender os documentos de Flávio e proibi-lo de sair do país. Leia a linha do tempo do caso aqui.
Leia os highlights do comunicado de Flávio:
“O Brasil não aceita interferência estrangeira em seu processo democrático. O candidato derrotado nas eleições fugiu do Brasil para não enfrentar a Justiça brasileira. Não por acaso, o candidato derrotado buscou abrigo justamente junto a Trump, que atuou abertamente para interferir em nossas eleições.
“A contestação do resultado não se sustenta. A prorrogação do horário de votação foi pedida pelas duas campanhas, PT e PL, por restrição em transportes públicos e chuvas fortes, e concedida de forma isonômica a todo o país. Nesse período foram registrados apenas 33.866 votos para presidente, 0,026% do total, enquanto a diferença entre os candidatos foi de mais de 4,4 milhões. O resultado foi reconhecido pelo presidente do TSE, indicado por Bolsonaro, como ‘as eleições mais inclusivas da história da República brasileira’ e que ‘transcorreram dentro da mais absoluta normalidade’. Além do Tribunal Superior Eleitoral, todos os partidos políticos, inclusive o PL, e os observadores internacionais independentes igualmente atestaram a legalidade das eleições.
“A soberania popular se manifestou através do voto livre e universal, após 2 turnos, com a eleição incontestável dos representantes do povo para Câmara dos Deputados, Senado Federal, Assembleias Legislativas e Distrital, além dos governadores e Presidente da República.
“Não é a 1ª vez que a família Bolsonaro se recusa a aceitar a vontade das urnas. Em 2022, Jair Bolsonaro tramou uma tentativa de golpe de Estado, que incluía o plano de assassinar o presidente e o vice-presidente eleitos. A democracia resistiu, e ele e os militares envolvidos foram condenados e estão presos.
“O Brasil não é quintal de ninguém, e a vontade soberana do povo brasileiro será respeitada.
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