Chinesa Dongfeng vai definir futuro da Peugeot na América do Sul
Marca francesa terá novos modelos eletrificados com produção local
O futuro das marcas Peugeot e Citroën no Brasil passa pela China. Novos produtos eletrificados desenvolvidos em parceria com a Dongfeng devem ser montados em fábricas do grupo Stellantis instaladas na América do Sul.
O acordo está em fase avançada, possibilitando que os lançamentos cheguem ao mercado ainda nesta década. A iniciativa faz parte do plano de 60 bilhões de euros (R$ 352 bilhões) em investimentos anunciado pela empresa em maio, que vai até 2030. O objetivo é desenvolver novas plataformas, motores e tecnologias.
A parceria com a Dongfeng iniciou em 1992, bem antes de o grupo Stellantis ser criado. Na época, a montadora PSA Peugeot Citroën iniciou a montagem de seus carros na China. Eram outros tempos, em que modelos ultrapassados na Europa tornavam-se novidade em um mercado que começava a se desenhar.
Hoje, são os carros chineses que permitem às marcas alcançarem maior competitividade com o ganho de escala e a redução de custos. O modelo de negócio também será aplicado na Europa, com produção na França.
A Peugeot poderá oferecer produtos mais sofisticados no mercado brasileiro, a exemplo dos conceitos apresentados na edição 2026 do Salão do Automóvel de Pequim, realizado em abril.
Já a Citroën terá opções derivadas dos novos modelos desenvolvidos pela coirmã francesa, conforme definido pelo plano divulgado em maio. Serão carros complementares à linha Fiat.
Ambas as marcas terão um posicionamento de nicho no Brasil, disse Herlander Zola, presidente do grupo Stellantis na América do Sul. O executivo concedeu uma entrevista coletiva nesta quarta (8), em Belo Horizonte.
Zola explicou que os produtos de origem francesa lançados pela empresa desde o início da década já faziam parte de um plano anterior à fusão dos grupos PSA e FCA Fiat Chrysler, consolidado há cinco anos. Agora chega o momento de definir a renovação da linha.
A marca Peugeot, por exemplo, passa por um momento difícil na América do Sul devido à abertura do mercado na Argentina, país em que os compactos 208 e 2008 são produzidos. Os modelos perderam competitividade no mercado interno e têm demanda restrita no Brasil.
Com a chegada dos carros desenvolvidos pela Dongfeng, o cenário tende a mudar. Serão veículos de porte médio que atuarão em uma faixa de preço mais rentável, provavelmente acima de R$ 150 mil.
As opções disponíveis hoje no portfólio global chegariam com valores elevados ao Brasil, a exemplo da geração atual do SUV 3008. Com a Dongfeng, o objetivo é concorrer diretamente em preço com as marcas chinesas que têm conquistado cada vez mais consumidores no mercado nacional.
"Temos uma segurança grande em afirmar que nascerão produtos dessa parceria que nos darão a possibilidade de ganhar competitividade e de posicionar a Peugeot e a Citroën de um jeito diferente", afirmou Zola.