Campo Grande, MS | 26°C | 19 de Outubro de 2026
AO VIVO 09:04
Mundo

China elimina barreiras que dificultam migrações internas no país

Trabalhadores migrantes poderão acessar previdência nas cidades onde trabalham, independente do local de registro

China elimina barreiras que dificultam migrações internas no país

O Conselho de Estado da China eliminou na sexta (22) restrições do hukou (registro domiciliar) que impediam chineses migrantes de regiões que não as suas de origem pudessem acessar a previdência social onde trabalham.

Pela nova regra, trabalhadores podem se inscrever nos programas de seguro social nas cidades onde estão empregados. O local de registro domiciliar deixa de ser o critério válido de acesso.

Dados amostrais do censo divulgados no mesmo dia indicam que a população migrante da China supera 357 milhões. A medida integra a agenda de Pequim para criar um mercado nacional unificado, removendo barreiras à circulação de mão de obra e capital.

O Hukou é o registro domiciliar (户口) criado em 1958 que classifica cada cidadão chinês como urbano ou rural, vinculado a um local de origem. Na prática, ele serve para determinar o acesso à saúde, educação e aposentadoria.

Um operário com hukou rural em Hunan que trabalha em Shenzhen, por exemplo, não tem direito a escola pública local para os filhos, não acessa o sistema de saúde pública nem a aposentadoria da cidade. Mora e trabalha ali, mas seus direitos ficam na província de origem, a centenas de quilômetros.

O sistema criou uma cidadania de dois níveis que persiste há quase sete décadas e é até hoje uma das maiores causas estruturais de desigualdade na China.

A reforma vai além dos trabalhadores migrantes tradicionais. Motoristas de aplicativo, entregadores e livestreamers vinham operando em cidades diferentes do registro domiciliar, barrados portanto dos serviços públicos que ajudavam a sustentar por meio dos próprios impostos. Esse contingente pressionou Pequim a garantir acesso igual à proteção social.

O princípio que orienta a mudança é o 人户分离 (renhu fenli), a separação entre local de residência e registro domiciliar. Pela lógica anterior, direitos seguiam o registro e agora devem seguir a pessoa.

pare para ver

"Nós sempre estudaremos os Três Artigos Permanentes", poster produzido em 1967 mostra trabalhadores rurais chineses, em referência aos ensaios políticos escritos por Mao Tsé-tung em 1949. Saiba mais sobre aqui

o que também importa

★ O chanceler Wang Yi pediu que as partes no conflito no Irã mantenham o compromisso com o cessar-fogo e façam concessões mútuas. Ele falou na ONU, em Nova York, após presidir uma reunião do Conselho de Segurança com 15 membros. O Irã acusou os EUA de violar a trégua após Washington realizar o que chamou de ataques defensivos no sul do país. O secretário de Estado americano Marco Rubio disse que um acordo para encerrar o conflito pode levar "alguns dias". Wang citou um chinês e disse que "não é com um único dia frio que o gelo acumula três pés de espessura", sinalizando que Pequim não espera resolução rápida mas quer manter a negociação viva.

★ Uma explosão de gás em uma mina de carvão na província de Shanxi, no centro da China, matou mais de 80 pessoas na sexta-feira. Foi o pior acidente em mineração no país em mais de uma década. A explosão aconteceu por volta das 19h30 na mina de carvão Liushenyu, no condado de Qinyuan, cerca de 520 km a sudoeste de Pequim, após um alerta de monóxido de carbono. Pelo menos 247 trabalhadores trabalhavam no subsolo no momento do acidente. Até agora, mais de 80 pessoas tiveram a morte confirmada por autoridades locais, 128 sobreviventes estavam sendo tratados em hospitais, dos quais dois em estado crítico, enquanto 35 tiveram alta e dois permaneciam desaparecidos.

fique de olho

A Huawei apresentou na segunda-feira (25) uma nova técnica de fabricação de chips que deve fazer a companhia alcançar até 2031 desempenho equivalente ao que TSMC, Samsung e Intel planejam para 2028-2029.

As três líderes globais do setor dependem de máquinas de litografia ultra-avançadas fabricadas pela holandesa ASML, às quais a Huawei não tem acesso por causa das sanções americanas.

A presidente da divisão de semicondutores da gigante chinesa, He Tingbo, apresentou o novo método na conferência IEEE em Xangai.

A chamada Lei Tau reorganiza a arquitetura interna dos chips para que os sinais elétricos percorram distâncias menores e encontrem menos resistência. Com isso, obtém ganhos de desempenho equivalentes à miniaturização sem depender das máquinas bloqueadas pelas sanções.

He Tingbo afirmou que a empresa usou a técnica para projetar e produzir em massa 381 chips nos últimos seis anos. Os novos processadores Kirin, previstos para o segundo semestre, serão os primeiros a adotar a arquitetura.

A empresa prepara o lançamento dos chips de inteligência artificial Ascend 950 em 2026, Ascend 960 em 2027 e Ascend 970 em 2028. É uma resposta à linha da Nvidia, que segue sem autorização de Pequim para vender seus modelos mais recentes na China.

Por que importa: a lógica das sanções americanas sobre semicondutores parte da premissa de que, sem acesso às máquinas de litografia mais avançadas, a China não conseguiria fabricar chips de ponta.

A Huawei agora parece ter desenvolvido um método que dispensa essas máquinas e já testou em centenas de chips. Se funcionar na escala prometida, o principal instrumento de contenção tecnológica de Washington contra Pequim perderá totalmente sua eficácia.

Ainda é uma promessa com prazo de cinco anos, mas, em 2023, a Huawei já surpreendeu o mercado ao lançar o chip Kirin 9000S, que analistas consideravam impossível sem equipamento ocidental.

para ir a fundo

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mundo
Ver na fonte
Compartilhe

Comentários 0

Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a comentar.

0