Carbono Oculto vai investigar ligação de instituições financeiras com 'gatonet'
Operação averigua esquema em pirataria de TV a cabo e serviços de streaming
Um dos próximos passos da Operação Carbono Oculto será averiguar a ligação de seis instituições financeiras, também acusadas de envolvimento em irregularidades no setor de combustíveis, com o mercado ilegal de TV por assinatura, chamado popularmente de "gatonet", e serviços de streaming. A pirataria acontece por meio de equipamentos chamados de TV Box.
Os indícios são de um fluxo que começa na coleta de pagamentos de assinantes, passa por contas bolsão que misturam recursos de diferentes clientes para dificultar o rastreamento de origem, e termina em veículos financeiros com aparência legítima.
O modelo é parecido ao usado na cadeia de combustíveis, com participação de instituições de pagamento em vez de bancos tradicionais para dificultar a identificação dos beneficiários finais.
Dados do FNCP (Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade) contabiliza R$ 473 bilhões em perdas provocadas anualmente por contrabando, falsificação e pirataria em 15 setores da economia. Os serviços de TV por assinatura respondem por R$ 12,1 bilhões desse total. O Ministério da Justiça e Segurança Pública bloqueou cerca de 3.000 sites e aplicados a esse segmento.
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em 28 de agosto de 2025 pela Receita Federal e pelo Ministério Público de São Paulo. A apuração identificou a expansão do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis e no mercado financeiro, com uso de fintechs como bancos paralelos.
Segundo as autoridades, o esquema movimentou cerca de R$ 10 bilhões em importações irregulares, R$ 52 bilhões em vendas por postos de combustíveis e R$ 46 bilhões em transações via instituições de pagamento entre 2020 e 2024. Fundos de investimento ligados ao grupo concentravam outros R$ 30 bilhões em ativos.
A investigação da ligação de instituições financeiras com serviços ilegais de streaming e TV por assinatura envolve autoridades de Brasil, Argentina, Equador, Paraguai, Peru e Reino Unido.