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Economia

Brasil será líder mundial na produção de sorgo em 2027

Dados de Conab e Usda indicam país à frente na plantação da cultura

Brasil será líder mundial na produção de sorgo em 2027

A produção brasileira de grãos deve atingir novo recorde na safra 2026/27, a que se inicia. É um ano muito difícil para previsões, uma vez que o El Niño traz excesso de chuvas no Sul e escassez nas demais regiões produtoras do país. A aposta da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) é de um volume de 367,1 milhões de toneladas, 1,4% a mais do que o deste ano.

O campo continua mostrando a mesma tendência dos últimos anos, com aumento na produção de soja e milho e queda na de arroz e trigo. A novidade dos números divulgados nesta quinta-feira (15) é o Brasil assumindo a liderança mundial na produção de sorgo, desbancando os Estados Unidos.

Pelos números desta quinta-feira da Conab, a safra brasileira deverá atingir 8 milhões de toneladas de sorgo, e a americana, conforme os números mais recentes do Wasde (World Agricultural Supply and Demand Estimates) do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), fica em 7,3 milhões. Além de ser uma cultura mais resiliente à seca e a temperaturas elevadas, o sorgo brasileiro começa a ganhar mercado externo, principalmente na China. O crescimento de área ocorre mais no Centro-Oeste e no Sul.

A produção de soja, mais uma vez, ganha espaço, embora em ritmo menor do que nas duas últimas décadas. A área semeada sobe para 49,3 milhões de hectares, 1,4% a mais do que no período anterior. A oleaginosa mostra estabilidade no plantio na região Sul e pouca evolução no Centro-Oeste, mas cresce 5,7% no Norte e 2,9% no Nordeste. Na avaliação do órgão público, a produção sobe para o recorde de 182 milhões de toneladas.

A área total de milho vai a 23,7 milhões de hectares e traz uma novidade. Os produtores do Sul devem optar mais pelo cereal na safra de verão neste ano, aumentando a área em 11%, o que pode gerar uma safra de 32 milhões de toneladas. Isso não ocorria desde a safra 2012/2013.

A área da segunda safra de milho, ainda distante e muito dependente do El Niño e do período de colheita da soja, cresce 4% nas estimativas da Conab, indo a 18,5 milhões de hectares. A produção sobe para 113,3 milhões de toneladas, elevando o volume total de milho da safra 2026/27 para 148 milhões de toneladas, um número que, se confirmado, será recorde.

A área de arroz, de 1,53 milhão de hectares, repete a de 2026, e fica em um dos menores patamares já semeados pelo país. O Sul vai plantar 1 milhão de hectares, uma das menores áreas da história da região. A produção nacional, após atingir o recorde de 12,8 milhões de toneladas em 2025, recua para 10,7 milhões em 2027. Devido a essa queda, o país vai terminar a safra 2026/27 (março a fevereiro) com estoques de passagem de 1,4 milhão de toneladas, o menor nível em três anos.

A safra de trigo deste ano, ainda em andamento, rende apenas 5,75 milhões de toneladas, 27% a menos do que em 2025, e o menor volume desde 2020. Desincentivados pelos preços e pelos riscos da cultura, os produtores semearam apenas 1,93 milhão de hectares, 21% a menos do que no ano anterior.

A opção do produtor pelo trigo no próximo ano vai depender muito dos preços internacionais, que subiram em setembro, devido à redução de produção em países exportadores. A queda de produção deste ano fará o país buscar mais cereal no mercado externo. Nos cálculos da Conab, as importações desta safra deverão atingir 7,1 milhões de toneladas. O consumo nacional é de 12 milhões.

Fonte original Publicado originalmente por Folha Mercado
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