Astronautas de missão simulada a Marte encerram isolamento de 1 ano
Quatro pessoas viveram em um espaço de 158 metros quadrados em Houston, nos EUA
Os quatro integrantes de uma missão simulada a Marte encerraram, no último sábado (31), um confinamento de um ano no Centro Espacial Johnson, da Nasa, em Houston (EUA). A iniciativa foi concebida para ajudar nos preparativos para uma possível futura viagem ao planeta vermelho.
"Foi um ano e tanto, astronautas de simulação vivendo em cativeiro por livre e espontânea vontade", disse Ellen Ellis, oficial médica da missão Crew Health and Performance Exploration Analog (Chapea), após deixar o isolamento com seus três colegas.
Completaram a tripulação Ross Elder (comandante), Matthew Montgomery (oficial científico) e James Spicer (engenheiro de voo).
Os quatro entraram no habitat de 158 metros quadrados, construído por meio de impressão 3D, em 19 de outubro de 2025. Ali realizaram tarefas como cultivar plantas em um solo marciano simulado e interagiram com a agência espacial com atrasos que reproduziam os inerentes às comunicações interplanetárias.
A Nasa já explorou Marte com veículos robóticos e sondas em órbita. Na próxima década, a agência pretende enviar uma missão tripulada ao planeta.
"Temos uma janela de oportunidade cada vez menor para manter a liderança dos Estados Unidos no espaço", afirmou Ellis.
"Vamos tomar a iniciativa, liderar com uma ciência que beneficie nossa economia e assegurar nosso legado no espaço para os filhos de nossos filhos", acrescentou ela.
"Para Marte, os riscos são grandes", disse Elder. "Porém, por meio de uma visão e liderança sólidas, criatividade, coragem, trabalho árduo e uma base extraordinária, o objetivo de levar humanos a Marte não é apenas alcançável, mas inevitável."
Agora, ao longo de duas semanas, a tripulação deverá participar de avaliações pós-missão e sessões de balanço da missão com cientistas da Nasa.
Segundo a agência, a ideia é entender o que é necessário para que os astronautas se adaptem às rotinas e às exigências da vida cotidiana em missões de longa duração no espaço, mantendo-se saudáveis, produtivos e conectados.
Esta foi a segunda missão Chapea da Nasa. Na anterior, quatro pessoas ficaram isoladas no Centro Espacial Johnson durante 378 dias, entre 2023 e 2024.
Vanessa Wyche, diretora do Centro Espacial Johnson, afirmou que os quatro integrantes dessa última missão conseguiram viver com recursos limitados, fazer a manutenção do habitat e conduzir operações simuladas em Marte.
Ela destacou como a tripulação lidou com as comunicações interplanetárias simuladas, que envolviam intervalos entre o envio de mensagens e o recebimento de respostas.
"Esses atrasos exigem paciência, planejamento cuidadoso e maior autonomia. Essas qualidades serão essenciais para futuros astronautas que viajarão a milhões de quilômetros de casa", afirmou Wyche.
A diretora disse que as lições aprendidas com a tripulação da Chapea e suas experiências ajudarão a preparar o caminho para as missões, primeiro à Lua e, "um dia, a Marte".
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