A patacoada de Jaques Wagner
Senador não está sozinho na tentativa de normalizar relações incestuosas com Vorcaro
Jaques Wagner não está sozinho na tentativa de normalizar relações incestuosas com Daniel Vorcaro e seus asseclas. Todos os políticos e autoridades ligadas diretamente ou indiretamente ao esquema de influência do dono do Master têm agido dessa forma.
Negar as irregularidades, afirmar que não tem problema algum na conduta adotada, nos favores recebidos e rezar para sair dos holofotes da mídia com a chegada do próximo alvo das operações da Polícia Federal. Em suma, cair de braços dados com o esquecimento.
Na ausência de explicações convincentes, a culpa é sempre dos investigadores. Não são normais caronas em aviões, ingressos polpudos para shows, contrato milionário da nora e ajuda para compra de apartamento da filha.
Na entrevista à Folha, ele atacou a conduta da PF na operação e chamou de patacoada e de espetacularização a exposição de foto com cédulas de moeda estrangeira. Sobrou para o chefe da PF, Andrei Rodrigues.
Só que assim como no caso de Wagner, a PF também divulga fotos de materiais apreendidos em outras buscas e apreensões, como dinheiro, carros, armas ou drogas.
É uma praxe da comunicação institucional da corporação e serve para apresentar à sociedade o resultado das ações dos policiais. A divulgação do órgão, porém, não informa a quem pertencem os itens apreendidos.
Talvez o desejo oculto do senador baiano fosse o de ser avisado antes por Andrei que os policiais iriam bater à porta.
Há pontos frágeis. Ele sempre negou a Lula envolvimento com Vorcaro, mas levou o ex-ministro Ricardo Lewandowski a encontro com Vorcaro. A história do apartamento é nebulosa e a dos dólares, estranha.
A eleição fez Lula cobrar a saída do amigo da liderança do governo, função na qual sua performance, aliás, deixou a desejar, com prejuízos para o governo.
Mesmo sabendo que as ligações do Master com o PT da Bahia estavam sendo investigadas, faltou ao petista se preparar melhor para a sua defesa, ou sobrou confiança.
Fora do cargo, terá tempo para se defender na rua, como ele mesmo disse, e na Justiça.